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Jamais serei Charlie Hebdo!

charlie Jamais serei Charlie Hebdo!

Je ne suis pas Charlie, eu repito: jamais serei Charlie. E antes que me apedrejem deixo claro outra coisa com a qual jamais pretendo compactuar: sou totalmente contrário ao ataque que os chargistas e jornalistas franceses do Charlie sofreram. Nada justifica esta barbárie. Mas eis que então, não vou com a maioria: eu não sou e nem quero ser Charlie!

As várias charges desta turma são um desserviço à liberdade religiosa. Fosse apenas uma gesto político, um grito de denúncia pela arte… mas não. O Charlie flerta com os limites do adequado ao satirizar como se ainda modernos fossemos, religiões, valores, liberdade de culto e de fé.

Não sou Charlie por achar que sátira tem hora e que não lhe cabe toda esta gratuidade. É certo que nenhum grupo tem que ser simpatizante de todas as religiões, coisa deliberadamente difícil na prática. Penso até que a crítica contemporânea à doutrinação religiosa encontre espaço salutar em meio às charges. Afinal, uma charge mais faz pensar que rir e acho isto fantástico.

Mas não sou Charlie porque não brinco o tempo todo com a religião dos outros e acho feio quem faça disto um modo de ser. O limite entre o apelo ao senso de humor ao contar a piada sobre um judeu mão fechada ou sobre um padre glutão é saudável. Se nos levássemos todos tão a sério a vida seria literalmente um saco.

E no entanto, a questão de fundo que mais me preocupa é a propagação da intolerância ao Islã em nome da defesa da tolerância à liberdade de expressão da mídia. Ora, tanto para quem combate sistematicamente a religião alheia como para quem a defende de maneira intolerante falta o bom senso.

Os assassinos não poderão ser justificados. Ferraram com tudo. Perderam qualquer fio de razão em se dizerem insultados pelas charges do Charlie. Nem me interessa se foi por extremismo /fanatismo religioso ou por motivos políticos e armamentísticos escusos: repúdio total a esta turma!

Quanto aos mortos e seus familiares, compaixão e solidariedade. Apenas peço desculpas pelo fato de que – mesmo reafirmando que nada justifica o acontecido – je ne suis pas Charlie. Via de regra, ainda prefiro uma crítica mais respeitosa e reconheço que até a liberdade de expressão deva ter seus limites éticos estabelecidos.

2014: No final dessas eleições, o LUTO é justificado sim!

 brasil chora 2014: No final dessas eleições, o LUTO é justificado sim!Com o resultado das Eleições para a Presidência da República de 2014, nos deparamos com um país não apenas dividido, mas fracionado em três grandes grupos: eleitores que elegeram o PT, seguidos por uma diferença pequena de eleitores que votaram na oposição e ainda um grupo que ou não votou, ou anulou seu voto. Enquanto o primeiro grupo comemora e o último, sobretudo por parte daqueles que optaram pelo branco ou nulo, parece não se importar, grande parte dos que apostaram seus votos na alternância de poder agora exibem a simbologia do luto.

Uma atitude que se justifica: com a eleição da presidenta, o País endossou novamente o atual governo com suas contradições, seus méritos e deméritos e sobretudo com a já conhecida lista de obras inacabadas, contratos secretos com governos de viés comunista, transposições inconclusas, negação da atual situação econômica, Programas de Assistência com muitas portas de entrada e poucas de saída. A democracia, soberana, deu a alguns presos da Papuda a alegria de um brinde, em uma cela decorada com a foto da ex-terrorista Coração Valente e permitiu ainda que alguns brasileiros postassem fotos com seu cartão Bolsa Família e a comemoração de que serão mais quatro anos recebendo tal benefício.

No país da democracia, venceu o medo de um futuro ainda mais incerto, venceu a campanha das acusações, da psicologia barata, das mentiras. Venceu a militância profissional. Venceu também a ilusão: gente que acha que “tudo” isso que o PT conquistou não tem nada a ver com o atrasado governo psdbista de outrora (sic) e não está prestes a ruir.  Gente que não enxergou que a conta do populismo, sem que exista crescimento econômico, não se sustenta (Governar só para os pobres como sugeria Luciana Genro, com que dinheiro se o Governo é apenas um repassador da grana que nós o entregamos para gerir o Estado?). Sem empresas que prosperem e sem uma saída da atual estagnação econômica não adianta nenhuma economista cursar Senai ou Pronatec, presidenta.

O silêncio também venceu nesta votação: Por que os bancos públicos não contaram a verdade para o país, de que já não possuem mais condições de seguir com os empréstimos, pois estão zerados? Por que o governo segurou dados?  Por que não se revela que são as empreiteiras as que mais ganham com os programas do tipo Minha Casa, Minha Vida? (A candidata eleita poderia inclusive não ter aceitado o dinheiro das empresas para financiamento de sua propaganda política já durante a campanha, mas só depois que aceitou é que se disse contra este tipo de atitude…) Por que a televisão não alardeou a verdadeira explicação sobre a taxa de desemprego, uma vez que no setor da indústria, da construção civil e em outros setores a coisa já está indo de férias coletivas à demissão em massa?

O que mais dói é todavia a pandemia de corrupção  que se instaurou nestes anos no País. Só para ficar com a Petrobrás já seria de chorar mas daí nos damos conta do perigo por detrás do nosso sistema de votação, sem possibilidade de recontagem de votos, com confiança atestada apenas por alguém que nos diz “é 100% seguro”. Talvez seja bom mencionar que no Tribunal Superior Eleitoral quem comanda é alguém do partido do Governo e que a isso se dá o nome de aparelhamento do Estado. Sobre o desempenho da Eletrobrás, a estatal que consegue ser menos eficiente que todas as demais, melhor até é ficar quieto….

Fomos dormir naquele Domingo, 26 de outubro de 2014, com a certeza de que muitos valores estão diluídos no puro marketing e no discurso de quem sabe manipular dados a seu favor. Dormimos certos de que as falhas administrativas cometidas em governos da oposição tiveram um peso muito maior que ação comprovadamente vampiresca dos corruptos e corruptores que sugam, se enriquecem e voltam a sugar mais. Não é que acreditássemos em governo perfeito, apenas esperamos que as urnas julgassem o Governo atual pelas promessas não cumpridas desde as manifestações de 2013, pelas confusões no setor elétrico, pelo trem-bala, pela reforma política nunca feita, pelo afugentamento dos investidores, pela falta de um Programa de Governo, pelo conselho de substituir carne por ovos… e pelo “eu não sabia”, marca emblemática da gestão PT.

Respeitemos a maioria, mesmo desconfiados da eficácias de nossas urnas eletrônicas. Mas, nos permitamos o luto que no tempo certo a que se reverter em esperança. Do luto a luta, pois permanecer só no choro não é coisa de brasileiro não. Ou será que é?

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O TOP10 das contradições humanas. Ou, coisas que me deixam realmente confuso.

CONFUSA O TOP10 das contradições humanas. Ou, coisas que me deixam realmente confuso.

Começo com um comentário que publiquei na minha página pessoal  do Facebook e que teve, por assim dizer, bastante participação. Trata-se da frase: “A pessoa é a favor do aborto e militante na proteção dos animais. Como proceder?”. A partir daí, listei 10 coisas que escuto/vejo por ai e que me deixam realmente confuso. A lista é claro é bem maior que isso, afinal nada mais me surpreende,  mas em tempos de campanha eleitoral, selecionei 10 posições políticas, ou nem tanto, para nossa alegria:

1) A feminista que é contra a mercantilização/objetificação da mulher, mas defende a prostituição como uma profissão entre outras.

2) A Pessoa que defende o estado mínimo, mas protesta por não ser bem atendido no SUS , ou por não encontrar vaga na escola pública mais próxima de sua residência.

3) O riquinho esquerdista de viés marxista que não dividirá com a humanidade a sua herança.

4) A pessoa que não tem partido, nem candidato mas milita por mais consciência política, ou por mudanças a partir das próximas eleições.

5) A pessoa que luta pelos direitos humanos e abomina os evangélicos.

6) Quem afirma que as “minorias” estão isentas de cidadãos brancos, e que todo branco faz parte da maioria  rica, é da elite.

7) A mulher que se denomina feminista e vadia e é romântica.

8) O cristão que prega o amor e massacra quem não segue os dogmas do cristianismo. Ou o cidadão que é contra o aborto e a favor da pena de morte e, ainda, o católico que prega o criacionismo como alternativa à teoria da Evolução.

9) Gente que defende os direitos GLSBTetc mas não tá nem ai para a população quilombola do país.

10) Brasileiro que pega a torcedora do Grêmio que insultou o goleiro Aranha como bode expiatório, mas afirma com convicção que NUNCA ficaria/casaria com um(a) negro(a).

E assim caminha a humanidade… rs.

Balanço do governo federal sobre a COPA é desonesto e politiqueiro.

a dilma Balanço do governo federal sobre a COPA é desonesto e politiqueiro.

 

Nessa segunda-feira (14) a presidente Dilma Rousseff  apresentou para a imprensa um “”balanço” sobra a Copa do Mundo.  Chamo a atenção para a rapidez com que o tal “balanço” foi feito mas, em todo caso, o que foi apresentado lembra em muito um discurso eleitoral de propaganda política. Estavam lá,  entre outros, José Eduardo Cardozo (da Justiça), Aldo Rebelo(do Esporte), Paulo Bernardo (das Comunicações), Thomas Traumann (da Comunicação Social), Luiz Alberto Figueiredo (das Relações Exteriores) e Celso Amorim (da Defesa). E Dilma afirmou:

  “Os prognósticos que se faziam sobre a Copa eram os mais terríveis possíveis. Começava com ‘não vai ter Copa’ e com ‘vai ser a Copa do caos’. Derrotamos a previsão pessimista e realizamos essa Copa das Copas”.

Era o tom da conversa informal. Afinal, quem realmente fez tais prognósticos? Quem, senão usuários das redes sociais e o povo manifestando nas ruas? Isto significa que Dilma lê nossos desabafos e acompanha nossas postagens no face? Então ela escuta as voz das ruas que está cada vez mais abafada pela questionável tática black bloc? Se escutou, se leu,  e agora se preocupou em nos dar uma resposta, se o governo federal guardou a voz dos protestos durante a Copa das Confederações e agora traz a público a desforra, por que não responder, com a mesma velocidade, às outras reivindicações tão mais sérias e de real interesse para o povo?

A paciência de nossa gente, aliada à disposição em se fazer festa, a alegria dos brasileiros em ver gringos, fotografar gringos, acolhe-los bem. Pelo menos no quesito descontração fizemos bonito sim. Mas então, podemos dizer que o maior legado da Copa, já nos pertencia: nossa condição brasileira. Afinal, ainda somos o país da hospitalidade e, infelizmente, também o do “deixa para lá”. Os protestos que tomaram as ruas do país no ano passado andam cada vez mais escassos, temos medo da reação da PM e da tática de guerrilha de alguns manifestantes. Paramos de reclamar para, enfim, torcer mas isso não faz desta a Copa das Copas.

Talvez para muitos gringos esta experiência tenha sido realmente incrível. Não porque a organização da Copa tenha sido brilhantemente executada, afinal de aeroportos à outras necessidades, muita coisa até que realmente funcionou, apesar de não estarem realmente concluídas. Então, se o caos não se instaurou, sorte a deles, sorte a nossa, sorte a da inquieta FIFA que teve que botar muita pressão sobre nossos políticos para que as coisas funcionassem.

 Mesmo assim, Dilma afirmou que organizar o Mundial “foi uma árdua conquista” para o governo federal (oi?). Segundo ela, o Brasil demonstrou que tem condições de assegurar infraestrutura, segurança e tratamento adequado a turistas, seleções e chefes de Estado.  Chamo atenção para mais esta fala da presidente recordando o viaduto que despencou em Belo Horizonte, umas das obras incluídas em um pacote de promessas chamado O Legado. Muitos dos que apoiam o governo federal não tardaram em apontar como culpada a contratante, isto é, a prefeitura de BH. Possivelmente estarão certos, o que contudo nos faz lembrar que os méritos e os deméritos em relação ao legado da Copa não são apenas do governo federal, pois os Estados e municípios também tiveram que correr para tentar aprontar as coisas a tempo. Ou será que quando as coisas dão certas, aí sim, foram feitas só pelo governo federal?

Queria ver era um claro balanço econômico sobre este grande evento, mas acho mesmo o caso do viaduto mineiro emblemático e vou parando por aqui com a seguinte reflexão: sem o trem-bala prometido para a Copa, para não listar outras obras que sequer serão executadas, ou não ficaram prontas, ou foram feitas com a mesma qualidade que aquelas da Avenida Pedro I em BH, onde o viaduto despencou; como fazer o balanço da Copa das Copas se a construção do legado prometido aos brasileiros e que deveria ser entregue antes do Mundial, ainda nem terminou?

Dilma fez gracinha. E nós, pagaremos a conta.

crise no setor elétrico Dilma fez gracinha. E nós, pagaremos a conta.

DILMA, ASSIM ATÉ EU DIMINUO A CONTA DE LUZ. Quando Dilma nos prometeu economia com a conta de luz, o que aconteceu depois? Com os valores bem abaixo do valor de mercado, as empresas de fornecimento não participaram do leilão de distribuição de energia, feito junto às hidrelétricas… o jeito foi apelar para o chamado “mercado livre”, que aqui no Brasil fica por conta das termoelétricas (energia eólica pra que né gente) e, no sufoco, o governo teve que intervir e soltar dinheiro para o setor.

Lembra?  “Segundo Dilma, o corte na tarifa de energia para residências será de 18% e para a indústria, de até 32%, mesmos percentuais informados pela Aneel no início da tarde. Os cortes são ainda maiores que os anunciados pela própria presidente em setembro, quando ela afirmou que a redução média seria de 16% para residências e de até 28% para a indústria.

Pagaremos esta conta a partir de 2015.   Ao que parece, começaremos a pagar agora, nem dá tempo de deixar passar as eleições.

O problema vinha se agravando e durante a Copa, todo mundo ficou caladinho. Agora, em Santa Catarina por exemplo, o reajuste será de quase 25%É que o setor de energia elétrica do país se encontra à beira de um colapso. Metade das obras necessárias está atrasada e a dívida pela compra de energia só aumenta. As hidrelétricas não conseguem mais suprir a demanda energética: Furnas chegou durante a Copa à 28% de sua capacidade. No reservatório entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, desde julho, não há mais água suficiente para geração de energia…. No total as hidrelétricas brasileiras já tomaram 11 bilhões de reais em empréstimos para lidar com esta situação, digna de ser chamada gravíssima. Na verdade, já se fala de “a pior crise no setor desde meados dos anos 70.”

“Desculpe o chavão, mas ‘nunca antes neste país’ tivemos uma situação tão nevrálgica no setor energético. Na área de energia elétrica, independente da grave situação causada pela falta de chuvas, houve uma série de medidas um tanto intempestivas que trouxeram insegurança e retração de investimentos, com incremento excessivo da geração termoelétrica. Vemos os custos subindo de forma preocupante e indústrias parando. Na área de petróleo estamos com a produção estagnada desde 2008 e, na de biocombustível, temos 40 usinas paralisadas. Tudo isso não decorre apenas do clima”, advertiu Luiz Augusto Horta Nogueira, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e pesquisador do Nipe.

Especialistas apontam que os atuais problemas do setor das hidrelétricas foram drasticamente agravados  em 2012 quando nossa presidente o governo federal resolveu baixar a conta de luz dos brasileiros. De lá para cá, sem os investimentos necessários, a conta das hidrelétricas não fecha mais. O montante acumulado para os meses em que é preciso recorrer a outros mercados de energia, não foi suficiente para se checar ao fim do ano.

Nem que este blog avisou: Já estamos endividados. Mas sentiremos este problema quando a Copa acabar, senão com a falta de energia, será então com o aumento significativo das contas. Isto, claro, só depois da Copa e também das eleições…

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Quando fazer um B.O. é um só mais um problemão que o bandido te causou.

Assaltada em BH Quando fazer um B.O. é um só mais um problemão que o bandido te causou.- “VOCÊ É TURISTA?” Com esta pergunta dava-se início ao Boletim de Ocorrência (B.O.) em decorrência de um arrombamento de carro na região da Savassi (BH), um dos pontos de comemoração da Copa do Mundo 2014.  Mas, para chegar a ouvir esta pergunta e conseguir seu  B.O.,  além da tristeza de ter seu carro destruído e seus pertences levados, uma jovem estudante mineira teve que passar por um segundo dissabor, de causar  indignação a qualquer cidadão de bem.

“Você é turista?” – obviamente respondi que não, mas fico pensando se faria diferença eu ter respondido que sim (1) – esta é uma parte do relato de uma estudante que teve o carro arrombado e as duas portas da frente completamente estragadas e seus pertences levados do interior do veículo, entre os quais um Ipad, um laptop, documentos, diplomas, e outros itens de valor ou de grande importância.  E isso, na região da Savassi e em plena Copa do Mundo 2014, com milhares de turistas a mercê da criminalidade que assola a capital, Belo Horizonte circulando pela capital mineira.

Aos que se perguntam os motivos para deixar no carro todos estes pertences, a estudante explica: – deixei, porque iria a pé até bem próximo da Praça da Liberdade e fiquei com medo de ser assaltada … Pois quanta ironia não??? – Pois bem, depois de voltar ao carro e sofrer com o ocorrido, a estudante narra sua saga por um Boletim de Ocorrência. Primeiro, caminhando até um posto móvel da polícia na Praça da Liberdade para descobrir que lá os policiais - não possuem equipamentos para fazerem um simples B.O. –  foi preciso usar o próprio celular e ligar para o 190 e … esperar. A viatura chegou, depois de 40 minutos, mas tão pouco fariam o Boletim  – Eles foram até mim com a viatura apenas para me guiarem até a delegacia da Polícia Militar  – a poucas quadras dali.

Depois de mais uns 40 minutos de espera, eis que surge a pergunta  feita por um policial: “você é turista?” – Obviamente – a estudante nos conta – respondi que não, mas fico pensando se faria diferença eu ter respondido que sim…

A cena se desenrola – O policial fez a ocorrência que consta, de verdade, eu juro: “[fulana] informa que seu Ipad tem programa de rastreamento onde será possível localizar o objeto furtado quando conectado à internet. AGUARDAMOS” …. agora a responsabilidade de localizar o meu Ipad furtado é do meu próprio Ipad? 

Só isso? Não. Faltava papel na impressora, portanto era preciso procurar outra delegacia para receber o Boletim impresso.  Ocorreu que – na madrugada, em meio a um sono conturbado lembrei que na pasta de meu notebook estavam também documentos originais muito importantes para mim: (…) e então tive mais um segundo transtorno (…)  No posto policial perto de minha casa não podiam me ajudar porque a complementação do B.O. com esses meus documentos também furtados só poderia ser feita pelo policial que me atendeu na delegacia da Savassi. Eu teria que esperar um novo plantão do policial que me atendeu,  (e que eu nem sabia o nome, porque eu realmente estava transtornada na noite anterior) para completar o B.O. Retornei à delegacia da Savassi e é claro, o policial que eu precisava não estava lá…Me informaram que ou eu esperava o dia de plantão dele ou deveria ir à Polícia Civil…. Eu já não argumentava ou pedia explicações…só queria ter um B.O. em minhas mãos…Fui na delegacia da Polícia Civil e lá o policial me disse que provavelmente isso aconteceu por preguiça alheia do colega…Enfim, agradeci, peguei meu B.O., engoli minha raiva, minha tristeza e meu choro e voltei para casa – enfim me pergunto: ineficácia somada à altas demandas de serviço, pouca motivação e um ambiente sufocante de trabalho, o que mais explica esta saga para se conseguir provar que alguém foi vitimado com um crime?

(1) As frases em itálico são uma reprodução de um texto de indignação, escritas pela estudante.

Lições sobre o dia em que brancos malditos xingaram Dilma.

o DILMA facebook Lições sobre o dia em que brancos malditos xingaram Dilma.

Será que foi um tiro que saiu pela culatra?  O dia em que um bando de brancos malditos sugeriram à presidenta do Brasil ir tomar no… foi tomado pelo ex-presidente Lula, e por muitos outros formadores de opinião, como um episódio protagonizado pela elite branca de nosso país. Nas palavras de Lula: “Dilma, você viu que no estádio não tinha ninguém com cara de pobre, só você?! Não tinha ninguém, ninguém pelo menos moreninho. Era a parte bonita da sociedade, que comeu a vida inteira e chegou ao estádio para mostrar que educação a gente aprende em casa, vem de berço.” Ainda segundo ele, esta elite é formada por moleques, cretinos e preconceituosos (Não cabe um processo coletivo ai não? rs).  Gostaria de só agradece-lo, e à boa parte da imprensa, pelos esclarecimentos honestos mas não está fácil assim:

Primeiro porque qualquer estudante do ensino médio é capaz de reconhecer que os defensores de Dilma apelaram para o discurso da luta de classes (lembra-se de suas aulas de história e de sociologia?) para dizer que o que aconteceu foi mais uma vez, um embate entre a elite maldita e o povo pobre coitadinho e oprimido, representado na figura da presidentA (quanto ganha mesmo esta senhora?)

Em segundo lugar, por mais ordinário e deselegante que seja o xingamento ofertado naquele Itaquerão, ele é tão baixo como os palavrões e preconceitos destilados por Lula e por tantos outros neste país e não um privilégio de uma parte dos brasileiros, embora se tenha dito até que não são brasileiros (no sentido verdadeiro do termo) os que insultaram nossa governante.

Na verdade, estamos aprendendo com este episódio algumas coisas interessantes:

- No Brasil está claramente posicionada uma esquerda e uma esquerda contrária ao PT. A esquerda que apoia o partido de Dilma, culpa neste episódio lamentável (e necessário?) a elite,  o Aécio e a branquitude brasileira. A esquerda anti-PT culpa a todos estes mas estende a reflexão apontando para o fato de que o(s) estádio(s) onde esta elite baixou o nível foi feito para eles, com total apoio da presidentA. Em outras palavras, eles afirmam que ela levou xingo da parcela rica para quem ela eminentemente governa. Nada mais esquizofrênico do que acusar o PT do bolsa-família de governar em favor das elites… ou será que não?

- E a direita política do Brasil? Esta se perde entre sua pouca articulação, verborreias intelectuais e acusações envolvendo helicópteros cheios de pó… se bem que não estou certo de que, no momento atual, a oposição represente verdadeiramente o pensamento da direita brasileira….

- Esta atitude que temos visto na política dos últimos anos, a saber, dividir a população entre brancos e negros, ricos e pobres, homos e héteros,  cristãos e vadias e, mais precisamente este apelo ao embate entres as classes é uma estratégia ideológica clara e, penso eu, de consequências nada favoráveis. Acredito é em unidade, em educação, em uma vaia às fobias sociais e não na publicidade de que temos diferentes grupos e que apenas alguns deles são educados e civilizados para representar o Brasil.

Enfim o VTNC foi feio, grosseiro e tal, mas o buraco é maior. Entre o descontentamento e a manipulação, existe o risco de que certo chumbo grosso venha por aí. Vai depender, em partes, de como se comportarão os jogadores em campo, não no futebol, mas no cenário sócio-político, para o qual todos estamos escalados.

Na abertura da Copa, até o Fuleco ficou de fora!

fuleco Na abertura da Copa, até o Fuleco ficou de fora!
Fabrica chinesa,produzindo mais de 1 milhão de fulecos para a Copa no Brasil. (CHINA OUT AFP PHOTO).

Sempre tive dificuldades em entender esta paixão nacional que é o futebol. Mas, se é o esporte do coração da maioria dos brasileiros, se é Copa do Mundo em casa, se até o Papa Francisco uma mensagem enviou e, sobretudo, já que foram tantos recursos em um evento de proporções planetárias, minha esperança era assistir a um belo Show de Abertura, na tarde de 12 de junho de 2014, no Itaquerão. Não deu. Nem o Fuleco apareceu por lá.

Contrataram uma gringa que, fazendo jus ao esteriótipo que lhe impomos, igualmente esteriotipou o Brasil. Sabemos que aqui, em terra brasilis, a capacidade artística e a riqueza cultural são um espetáculo a parte, que gira o mundo em forma de Carnaval, de apresentações da cias de dança, de novelas e mesmo, na genialidade do futebol. A abertura made in Bélgica nos recordou todavia que a Copa deste ano é apenas no Brasil, mas nunca foi do Brasil.

Agora, além do papel de torcedor fanático que ainda exercemos bem, sabe o que realmente é nosso nesta Copa? A resposta é óbvia: a conta. O governo até tentou, divulgando uma cartilha e discursando em Rede Nacional, afirmar que gastamos apenas 25,3 bilhões em estádio e infraestruturas. -É pouco – diz o governo, se comparado aos 853 bilhões gastos, por exemplo, como saúde e educação, de 2010 para cá. Todavia, a começar pelo gol contra, não o do jogador da seleção Marcelo (p.s. Sou só eu que nem conheço os jogadores brasileiros de nossa seleção?), mas aquele do show de abertura, sumariamente criticado dentro e fora do Brasil, é de se perguntar como a administração destas duas quantias foram feita por nossos governantes.

Se a infra da Copa está inacabada, se tudo o que é feito com dinheiro público ou para o bem público custa muitas vezes mais (se bem que a roupa de Cláudia Leite, espera-se paga por ela, custou o valor de um bom apê de classe média…), é preciso se perguntar: por que cargas d’água as coisas não foram aprontadas? Minha opinião é que assim como no fiasco da abertura, a parte que coube aos brasileiros – gastar – careceu de boa administração.

Seria bacana se o Governo brasileiro, assim como fez uma Cartilha marqueteira para se safar das acusações prestar contas sobre os gastos da Copa, fizesse o mesmo e nos explicassem como foi utilizado os nossos outros 853 bilhões, para que os gritos das diversas manifestações sejam ou não legitimados. Esta é uma dúvida pertinente pois afinal, evocando a sabedoria das páginas bíblicas (só Jesus na causa?), quem é mal administrador no pouco…

Quanto a nós torcedores, caberia aprender com o padrão FIFA de qualidade: as coisas no Brasil podem não acontecer a contento, mas um nível de exigência maior de nossa parte, sugere que elas ao menos aconteçam, visto que, mesmo sem a conclusão de obras, #VaiTerCopaSim…

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Obs: A quem interessar possa, e segundo a Revista Placar, segue a explicação dos gastos para a Copa. Para quem dúvida de má-administração é só ler e tirar suas próprias conclusões:

O governo brasileiro deu números do investimento feito na Copa do Mundo de 2014, que começa dentro de 30 dias. Segundo o balanço oficial, foram 25,6 bilhões de reais gastos em obras para o torneio, entre obras de estádios e infra-estrutura. Deste valor, 83,6% saíram dos cofres públicos, sendo que apenas 4,2 bilhões de reais são da iniciativa privada.

A maior parte dos gastos foi feita para o transporte e aeroportos. Somadas, as obras de vias e transporte público e dos aeroportos dá 60,1% dos investimentos. São 33,6% (ou 8,6 bilhões de reais) com transporte terrestre e 26,5% (6,8 bilhões de reais) com o transporte aéreo. Os portos ainda somaram 2,6% do total dos investimentos, enquanto a infraestrutura das telecomunicações receberam 1,4% dos investimentos. Estes foram os gastos que ficarão como legado após o torneio.

O segundo maior gasto foi com os estádios. 27,7% dos 25,6 milhões de reais foram investidos nas reformas e construção dos 12 estádios do Mundial, totalizando 7,09 bilhões de reais. Outros 7,3% foram utilizados para segurança pública, enquanto o turismo recebeu 0,8%.

Ainda segundo os dados oficiais do governo brasileiro, as obras da Copa do Mundo geraram um total de 3,6 milhões de empregos diretos.

Fonte: PLACAR

Os porquês de não comemorar a baixa taxa de desemprego, ou, aprenda a ler nas entrelinhas.

brasil tolos Os porquês de não comemorar a baixa taxa de desemprego, ou, aprenda a ler nas entrelinhas.

Está no destaque do G1 nesta quinta-feira santa: a Taxa de desemprego é a menor para os meses de março desde o início da contagem em 2002. Apenas 5% dos brasileiros estavam desempregados no mês de março de 2014 no Brasil! É para comemorar, certo?

Não tão certo assim.  Você sabia que para o cálculo da taxa de desemprego, a pesquisa considera por exemplo que um cidadão que trabalhou faxinando sua calçada em troca de um prato de comida é considerado empregado? E que quem está procurando emprego entra também no pacote? Ou seja,  desempregado para a pesquisa é só o cara que pode e que não quer trabalhar.

5% é portanto uma porcentagem constituída de muitos “vagabundos confessos”. E… que taxa alta! Mas, tudo bem… o que não dá mesmo  para comemorar é uma taxa baixa de desemprego que, noticiada como é, criar a falsa impressão de que as coisas no Brasil andam benfeitas…

Claro, a taxa possui seu valor, pois se os critérios são os mesmos todos os meses, os resultados podem sem comparados entre si, o que permite traçar um gráfico da evolução temporal referente ao item da pesquisa, que me recuso a chamar de desemprego, como os apresentados na página do G1.  Além disso, esta taxa é utilizada para cálculos importantes nas tomadas de decisões envolvendo a  política econômica do país. Mas está longe de ser motivo de alegria para a maior parte da população. Basta lembrar de um um outro dado: cerca de 70% dos atendidos pelo program bolsa família tem algum tipo de “emprego” mas, não recebem nem ao menos R$140,00 por mês. Por isso, estes ditos “empregados” precisam continuar recebendo o auxílio.  (Antes de me atirarem uma pedra vejam bem que eu não estou aqui a criticar o bolsa família, mas o fato de chamar empregado um cara que não ganha nem meio salário mínimo por mês). Enfim, 70% de “empregados”estão entre a linha da pobreza e a da extrema pobreza, segundo os critérios do próprio governo. É para comemorar Brasil?

Para entender um pouco mais sobre a influência de pesquisas de mercado e opinião, reveja este texto aqui.

Um texto mais punk sobre o problema envolvendo a manipulação da taxa de desemprego é este outro aqui.

(Se gostou da informação, te sugiro, compartilhe! Vamos nos educar politicamente! Grande abraço!)

Este blog avisou: confiar em pesquisa de “opinião pública” é um problema…

ipea errou Este blog avisou: confiar em pesquisa de opinião pública é um problema...

Depois de tanto alarde sobre o resultado da pesquisa do IPEA e das campanhas que correram a internet por causa delas, eis que, de acordo com os sites de notícias, o IPEA agora afirma que errou na apresentação dos resultados.

Ora, para quem (que como eu) estava entristecido com o resultado da pesquisa, 26% não representam grande alívio sobre o modo como o brasileiro lida com a questão do sexo, da violência e da hiper-erotização (nós falamos disso neste post aqui).  Para quem contudo viu na divulgação das pesquisas um golpe do Governo para camuflar-se frente às acusações sobre a venda da Petrobrás, esta novidade sobre o erro do IPEA o que seria, um tiro no próprio pé?

Resumindo a questão: O IPEA agora diz que errou, o diretor do Instituto pediu exoneração do cargo, e o brasileiro ficou com cara de interrogação: em quem ou no que confiar?

Certo é que este causo reafirma o que expressei no post anterior: é preciso muita cautela em relação aos resultados das ditas “opiniões públicas”. A verdade dos fatos pode mesmo passar ao largo destas pesquisas. Contudo, uma vez divulgadas, as tais pesquisas atuam como formadoras de opinião, sobretudo perante a parcela da população que prefere não avaliar, ponderar e discutir.

Que este episódio, digno de Os Simpsons, nos alerte em relação às pesquisas de intenção de voto que antecedem as eleições. Quem vai na onda gerada pelas pesquisas de opinião pública, sem o menor senso crítico, geralmente não pensa por si mesmo, mas gosta de “comprar pronto” o pensamento de outros… e  ai pede para ser ludibriado.  #EuNãoTireiARoupaAtoaMasNãoDeixeiDeSerEnganada. #ProntoFaleiRs