Arquivo da categoria: Reflexões

Quando fazer um B.O. é um só mais um problemão que o bandido te causou.

Assaltada em BH Quando fazer um B.O. é um só mais um problemão que o bandido te causou.- “VOCÊ É TURISTA?” Com esta pergunta dava-se início ao Boletim de Ocorrência (B.O.) em decorrência de um arrombamento de carro na região da Savassi (BH), um dos pontos de comemoração da Copa do Mundo 2014.  Mas, para chegar a ouvir esta pergunta e conseguir seu  B.O.,  além da tristeza de ter seu carro destruído e seus pertences levados, uma jovem estudante mineira teve que passar por um segundo dissabor, de causar  indignação a qualquer cidadão de bem.

“Você é turista?” – obviamente respondi que não, mas fico pensando se faria diferença eu ter respondido que sim (1) – esta é uma parte do relato de uma estudante que teve o carro arrombado e as duas portas da frente completamente estragadas e seus pertences levados do interior do veículo, entre os quais um Ipad, um laptop, documentos, diplomas, e outros itens de valor ou de grande importância.  E isso, na região da Savassi e em plena Copa do Mundo 2014, com milhares de turistas a mercê da criminalidade que assola a capital, Belo Horizonte circulando pela capital mineira.

Aos que se perguntam os motivos para deixar no carro todos estes pertences, a estudante explica: – deixei, porque iria a pé até bem próximo da Praça da Liberdade e fiquei com medo de ser assaltada … Pois quanta ironia não??? – Pois bem, depois de voltar ao carro e sofrer com o ocorrido, a estudante narra sua saga por um Boletim de Ocorrência. Primeiro, caminhando até um posto móvel da polícia na Praça da Liberdade para descobrir que lá os policiais - não possuem equipamentos para fazerem um simples B.O. –  foi preciso usar o próprio celular e ligar para o 190 e … esperar. A viatura chegou, depois de 40 minutos, mas tão pouco fariam o Boletim  – Eles foram até mim com a viatura apenas para me guiarem até a delegacia da Polícia Militar  – a poucas quadras dali.

Depois de mais uns 40 minutos de espera, eis que surge a pergunta  feita por um policial: “você é turista?” – Obviamente – a estudante nos conta – respondi que não, mas fico pensando se faria diferença eu ter respondido que sim…

A cena se desenrola – O policial fez a ocorrência que consta, de verdade, eu juro: “[fulana] informa que seu Ipad tem programa de rastreamento onde será possível localizar o objeto furtado quando conectado à internet. AGUARDAMOS” …. agora a responsabilidade de localizar o meu Ipad furtado é do meu próprio Ipad? 

Só isso? Não. Faltava papel na impressora, portanto era preciso procurar outra delegacia para receber o Boletim impresso.  Ocorreu que – na madrugada, em meio a um sono conturbado lembrei que na pasta de meu notebook estavam também documentos originais muito importantes para mim: (…) e então tive mais um segundo transtorno (…)  No posto policial perto de minha casa não podiam me ajudar porque a complementação do B.O. com esses meus documentos também furtados só poderia ser feita pelo policial que me atendeu na delegacia da Savassi. Eu teria que esperar um novo plantão do policial que me atendeu,  (e que eu nem sabia o nome, porque eu realmente estava transtornada na noite anterior) para completar o B.O. Retornei à delegacia da Savassi e é claro, o policial que eu precisava não estava lá…Me informaram que ou eu esperava o dia de plantão dele ou deveria ir à Polícia Civil…. Eu já não argumentava ou pedia explicações…só queria ter um B.O. em minhas mãos…Fui na delegacia da Polícia Civil e lá o policial me disse que provavelmente isso aconteceu por preguiça alheia do colega…Enfim, agradeci, peguei meu B.O., engoli minha raiva, minha tristeza e meu choro e voltei para casa – enfim me pergunto: ineficácia somada à altas demandas de serviço, pouca motivação e um ambiente sufocante de trabalho, o que mais explica esta saga para se conseguir provar que alguém foi vitimado com um crime?

(1) As frases em itálico são uma reprodução de um texto de indignação, escritas pela estudante.

Lições sobre o dia em que brancos malditos xingaram Dilma.

o DILMA facebook Lições sobre o dia em que brancos malditos xingaram Dilma.

Será que foi um tiro que saiu pela culatra?  O dia em que um bando de brancos malditos sugeriram à presidenta do Brasil ir tomar no… foi tomado pelo ex-presidente Lula, e por muitos outros formadores de opinião, como um episódio protagonizado pela elite branca de nosso país. Nas palavras de Lula: “Dilma, você viu que no estádio não tinha ninguém com cara de pobre, só você?! Não tinha ninguém, ninguém pelo menos moreninho. Era a parte bonita da sociedade, que comeu a vida inteira e chegou ao estádio para mostrar que educação a gente aprende em casa, vem de berço.” Ainda segundo ele, esta elite é formada por moleques, cretinos e preconceituosos (Não cabe um processo coletivo ai não? rs).  Gostaria de só agradece-lo, e à boa parte da imprensa, pelos esclarecimentos honestos mas não está fácil assim:

Primeiro porque qualquer estudante do ensino médio é capaz de reconhecer que os defensores de Dilma apelaram para o discurso da luta de classes (lembra-se de suas aulas de história e de sociologia?) para dizer que o que aconteceu foi mais uma vez, um embate entre a elite maldita e o povo pobre coitadinho e oprimido, representado na figura da presidentA (quanto ganha mesmo esta senhora?)

Em segundo lugar, por mais ordinário e deselegante que seja o xingamento ofertado naquele Itaquerão, ele é tão baixo como os palavrões e preconceitos destilados por Lula e por tantos outros neste país e não um privilégio de uma parte dos brasileiros, embora se tenha dito até que não são brasileiros (no sentido verdadeiro do termo) os que insultaram nossa governante.

Na verdade, estamos aprendendo com este episódio algumas coisas interessantes:

- No Brasil está claramente posicionada uma esquerda e uma esquerda contrária ao PT. A esquerda que apoia o partido de Dilma, culpa neste episódio lamentável (e necessário?) a elite,  o Aécio e a branquitude brasileira. A esquerda anti-PT culpa a todos estes mas estende a reflexão apontando para o fato de que o(s) estádio(s) onde esta elite baixou o nível foi feito para eles, com total apoio da presidentA. Em outras palavras, eles afirmam que ela levou xingo da parcela rica para quem ela eminentemente governa. Nada mais esquizofrênico do que acusar o PT do bolsa-família de governar em favor das elites… ou será que não?

- E a direita política do Brasil? Esta se perde entre sua pouca articulação, verborreias intelectuais e acusações envolvendo helicópteros cheios de pó… se bem que não estou certo de que, no momento atual, a oposição represente verdadeiramente o pensamento da direita brasileira….

- Esta atitude que temos visto na política dos últimos anos, a saber, dividir a população entre brancos e negros, ricos e pobres, homos e héteros,  cristãos e vadias e, mais precisamente este apelo ao embate entres as classes é uma estratégia ideológica clara e, penso eu, de consequências nada favoráveis. Acredito é em unidade, em educação, em uma vaia às fobias sociais e não na publicidade de que temos diferentes grupos e que apenas alguns deles são educados e civilizados para representar o Brasil.

Enfim o VTNC foi feio, grosseiro e tal, mas o buraco é maior. Entre o descontentamento e a manipulação, existe o risco de que certo chumbo grosso venha por aí. Vai depender, em partes, de como se comportarão os jogadores em campo, não no futebol, mas no cenário sócio-político, para o qual todos estamos escalados.

Na abertura da Copa, até o Fuleco ficou de fora!

fuleco Na abertura da Copa, até o Fuleco ficou de fora!
Fabrica chinesa,produzindo mais de 1 milhão de fulecos para a Copa no Brasil. (CHINA OUT AFP PHOTO).

Sempre tive dificuldades em entender esta paixão nacional que é o futebol. Mas, se é o esporte do coração da maioria dos brasileiros, se é Copa do Mundo em casa, se até o Papa Francisco uma mensagem enviou e, sobretudo, já que foram tantos recursos em um evento de proporções planetárias, minha esperança era assistir a um belo Show de Abertura, na tarde de 12 de junho de 2014, no Itaquerão. Não deu. Nem o Fuleco apareceu por lá.

Contrataram uma gringa que, fazendo jus ao esteriótipo que lhe impomos, igualmente esteriotipou o Brasil. Sabemos que aqui, em terra brasilis, a capacidade artística e a riqueza cultural são um espetáculo a parte, que gira o mundo em forma de Carnaval, de apresentações da cias de dança, de novelas e mesmo, na genialidade do futebol. A abertura made in Bélgica nos recordou todavia que a Copa deste ano é apenas no Brasil, mas nunca foi do Brasil.

Agora, além do papel de torcedor fanático que ainda exercemos bem, sabe o que realmente é nosso nesta Copa? A resposta é óbvia: a conta. O governo até tentou, divulgando uma cartilha e discursando em Rede Nacional, afirmar que gastamos apenas 25,3 bilhões em estádio e infraestruturas. -É pouco – diz o governo, se comparado aos 853 bilhões gastos, por exemplo, como saúde e educação, de 2010 para cá. Todavia, a começar pelo gol contra, não o do jogador da seleção Marcelo (p.s. Sou só eu que nem conheço os jogadores brasileiros de nossa seleção?), mas aquele do show de abertura, sumariamente criticado dentro e fora do Brasil, é de se perguntar como a administração destas duas quantias foram feita por nossos governantes.

Se a infra da Copa está inacabada, se tudo o que é feito com dinheiro público ou para o bem público custa muitas vezes mais (se bem que a roupa de Cláudia Leite, espera-se paga por ela, custou o valor de um bom apê de classe média…), é preciso se perguntar: por que cargas d’água as coisas não foram aprontadas? Minha opinião é que assim como no fiasco da abertura, a parte que coube aos brasileiros – gastar – careceu de boa administração.

Seria bacana se o Governo brasileiro, assim como fez uma Cartilha marqueteira para se safar das acusações prestar contas sobre os gastos da Copa, fizesse o mesmo e nos explicassem como foi utilizado os nossos outros 853 bilhões, para que os gritos das diversas manifestações sejam ou não legitimados. Esta é uma dúvida pertinente pois afinal, evocando a sabedoria das páginas bíblicas (só Jesus na causa?), quem é mal administrador no pouco…

Quanto a nós torcedores, caberia aprender com o padrão FIFA de qualidade: as coisas no Brasil podem não acontecer a contento, mas um nível de exigência maior de nossa parte, sugere que elas ao menos aconteçam, visto que, mesmo sem a conclusão de obras, #VaiTerCopaSim…

********************************************************************

Obs: A quem interessar possa, e segundo a Revista Placar, segue a explicação dos gastos para a Copa. Para quem dúvida de má-administração é só ler e tirar suas próprias conclusões:

O governo brasileiro deu números do investimento feito na Copa do Mundo de 2014, que começa dentro de 30 dias. Segundo o balanço oficial, foram 25,6 bilhões de reais gastos em obras para o torneio, entre obras de estádios e infra-estrutura. Deste valor, 83,6% saíram dos cofres públicos, sendo que apenas 4,2 bilhões de reais são da iniciativa privada.

A maior parte dos gastos foi feita para o transporte e aeroportos. Somadas, as obras de vias e transporte público e dos aeroportos dá 60,1% dos investimentos. São 33,6% (ou 8,6 bilhões de reais) com transporte terrestre e 26,5% (6,8 bilhões de reais) com o transporte aéreo. Os portos ainda somaram 2,6% do total dos investimentos, enquanto a infraestrutura das telecomunicações receberam 1,4% dos investimentos. Estes foram os gastos que ficarão como legado após o torneio.

O segundo maior gasto foi com os estádios. 27,7% dos 25,6 milhões de reais foram investidos nas reformas e construção dos 12 estádios do Mundial, totalizando 7,09 bilhões de reais. Outros 7,3% foram utilizados para segurança pública, enquanto o turismo recebeu 0,8%.

Ainda segundo os dados oficiais do governo brasileiro, as obras da Copa do Mundo geraram um total de 3,6 milhões de empregos diretos.

Fonte: PLACAR

As 4 leis da Espiritualidade ensinadas na Índia.

indias As 4 leis da Espiritualidade ensinadas na Índia.

A primeira diz: “A pessoa que vem é a pessoa certa“.

 Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.

A segunda lei diz:  “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido“.

Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa…” ou “aconteceu que um outro…”. Não. O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.

A terceira diz: Toda vez que você iniciar é o momento certo“.

 Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.

 E a quarta e última afirma:  “Quando algo termina, ele termina“.

 Simplesmente assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a experiência. Não é por acaso que estamos lendo este texto agora. Se ele vem à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado.

No clima da original filosofia de Gilles Deleuze e Guattari.

 No clima da original filosofia de Gilles Deleuze e Guattari.

“Não seja nem uno nem múltiplo, seja multiplicidades! Faça a linha e nunca o ponto! A velocidade transforma o ponto em linha! Seja rápido, mesmo parado! Linha de chance, jogo de cintura, linha de fuga. Nunca suscite um General em você! Nunca idéias justas, justo uma ideia. Tenha idéias curtas. Faça mapas, nunca fotos nem desenhos. Seja a Pantera cor-de-rosa e que vossos amores sejam como a vespa e a orquídea, o gato e o babuíno.”

Este blog avisou: confiar em pesquisa de “opinião pública” é um problema…

ipea errou Este blog avisou: confiar em pesquisa de opinião pública é um problema...

Depois de tanto alarde sobre o resultado da pesquisa do IPEA e das campanhas que correram a internet por causa delas, eis que, de acordo com os sites de notícias, o IPEA agora afirma que errou na apresentação dos resultados.

Ora, para quem (que como eu) estava entristecido com o resultado da pesquisa, 26% não representam grande alívio sobre o modo como o brasileiro lida com a questão do sexo, da violência e da hiper-erotização (nós falamos disso neste post aqui).  Para quem contudo viu na divulgação das pesquisas um golpe do Governo para camuflar-se frente às acusações sobre a venda da Petrobrás, esta novidade sobre o erro do IPEA o que seria, um tiro no próprio pé?

Resumindo a questão: O IPEA agora diz que errou, o diretor do Instituto pediu exoneração do cargo, e o brasileiro ficou com cara de interrogação: em quem ou no que confiar?

Certo é que este causo reafirma o que expressei no post anterior: é preciso muita cautela em relação aos resultados das ditas “opiniões públicas”. A verdade dos fatos pode mesmo passar ao largo destas pesquisas. Contudo, uma vez divulgadas, as tais pesquisas atuam como formadoras de opinião, sobretudo perante a parcela da população que prefere não avaliar, ponderar e discutir.

Que este episódio, digno de Os Simpsons, nos alerte em relação às pesquisas de intenção de voto que antecedem as eleições. Quem vai na onda gerada pelas pesquisas de opinião pública, sem o menor senso crítico, geralmente não pensa por si mesmo, mas gosta de “comprar pronto” o pensamento de outros… e  ai pede para ser ludibriado.  #EuNãoTireiARoupaAtoaMasNãoDeixeiDeSerEnganada. #ProntoFaleiRs

Quem está certo? O Brasil é machista ou fomos enganados pelo IPEA?

eu nao mereço Quem está certo? O Brasil é machista ou fomos enganados pelo IPEA?

Repare as fotos acima. Na contramão da campanha contra os resultados da pesquisa do IPEA,  em que muitas internautas postaram as fotos com a hastag #EuNãoMereçoSerEstuprada, eis que surge uma outra iniciativa, dizendo que os resultados da pesquisa servem para manipular a opinião pública.

A esta altura do campeonato um pouco de informação, neste ano em que seremos cercados de pesquisas sobre a  opinião pública,  não é de todo um mal, estou correto? Se você concorda com este pretenso blogueiro, passemos pois a elas. Primeiramente quero elucidar três pontos (e deixo de lado a questão de amostras representativas neste post, o que, trocando em miúdos, diz respeito aos cálculos e à escolha em um determinado grupo de indivíduos, de uma parcela menor, de cuja opinião se extrai uma ideia sobre a opinião do todo, isto é, do grupo inteiro).  Vamos a eles:

1) Toda opinião pressupõe 2 elementos: um dado da realidade (que é o objeto da opinião) e o valor que atribuímos este dado, ou objeto.

2) Um objeto de pesquisa para ter relevância na esfera da opinião pública tem que apresentar uma especificidade: ele, o objeto, deve ser de matéria pública. Afinal, de que adiantaria perguntar para as pessoas sobre assuntos que elas não conhecem? Por sua vez, o requisito óbvio para que um tema seja de interesse da agenda pública nos dias de hoje, parece ser a presença do tema nos meios de comunicação. (Lembra-se que nestes dias o assédio sexual  às mulheres dentro dos trens foi manchete? Pois é, pouco depois a pesquisa do IPEA foi divulgada…)

3) Para que a opinião pública possa ser entendida como a somatória das opiniões individuais o que é preciso? R: que todos os entrevistados tivessem opiniões individuais (somáveis) sobre os temas da agenda pública, o que nem sempre acontece. A população nem sempre tem acesso a notícias isentas de ideologia por parte da mídia e nem entende bem os fatos ou processos que geraram estas notícias. Do mesmo modo, as opiniões muitas vezes não são somáveis. Alguém por exemplo pode dizer que não gosta do governo Dilma porque a acha uma ignorante, outro também diz não gostar do governo dela, mas porque não admite a ideologia do Partido dos Trabalhadores. Estas opiniões, ao menos em tese, não seriam “somáveis”.

Dito isso, imagine o que significa o resultado de uma pesquisa de opinião pública sobre intenções de voto, ou sobre a satisfação em relação ao desempenho de um político: se a população não tem critérios, nem possibilidades de comparação com um exemplo de candidato ideal, ou de governo ideal, como vai atribuir um valor (mesmo que qualitativo, do tipo de “péssimo à ótimo, escolha uma opção)? No exemplo de uma opinião sobre o governo Dilma, isto se torna evidente: nossa população mal conhece as competências e atribuições que cabem a um presidente, entretanto, respondem às pesquisas na rua sem pestanejar um minuto sequer.

O fato é que, dificilmente se tem no campo das coisas públicas, uma opinião formada. O que temos são simpatias, antipatias, gostos, desgostos… opiniões formadas exigem capacidade de pensamento abstrato, conhecimento aprofundado sobre o tema. No caso de opinião sobre votos, a verdadeira opinião pública, se existisse, deveria levar em conta a ética e o melhor programa de governo e não simpatias e  ideologias rasas… Sem contar que, por mais paradoxal que pareça, a “opinião” pública quando divulgada, é ela mesma uma… formadora de “opinião”!

Logo, as tais pesquisas de opinião, dizem sim alguma coisa sobre os grupos da sociedade, mas devem ser olhadas com senso crítico. Muitas vezes não são opiniões fundamentadas, são apenas indicadores de para onde sopra o senso comum. Isto explicaria alguns resultados ditos contraditórios presentes na pesquisa do IPEA. Afinal, em um país que não tem elementos para julgar os valores e assim emitir opiniões, é comum se repetir disparates, coisas ditas aqui e ali, ideias “prontas” se me permitem dizer. O que é um sintoma grave, que demonstra a falta de gente que pensa, que pondera e que discerne. Mas… esperar o que, se nem em matemática, que é ciência exata, nosso país consegue uma boa posição no ranking ,né? #BrasilUmPaísDeTolos? #AtéQuando?!

Rubem Alves: A quaresma e a tristeza divina.

rubem alves Rubem Alves: A quaresma e a tristeza divina.

 

“Porque a tristeza de Deus produz mudança… mas a tristeza do mundo produz morte.” II Co 7:10

 As quaresmeiras aí estão. Flores de fevereiro e março, anunciando que nem só de cores brancas e verdes vive a alma humana, mas também de lilases e roxas. Nem só de alegrias, mas também de tristezas. A propósito, não é tarefa das mais fáceis empreender um “dedo de prosa”, mínimo que seja, sobre o tema da tristeza. Houve tempos em que a tristeza era prima irmã da poesia, da música, da vida. Pode-se dizer, com o testemunho de um bom número de músicas que ainda hoje cantamos, que a tristeza sempre foi a matéria prima do fazer poético. Quem nunca cantou: “Tristeza, por favor vai embora, minha alma que chora, está vendo o seu fim….”. Ou ainda: “Cantando eu mando a tristeza embora…” Mais: “Triste madrugada foi aquela em que perdi meu violão…”

 Essas músicas testemunham um tempo em que a experiência da alegria e da beleza só eram possíveis a partir do reconhecimento de uma certa tristeza nas pautas musicais da existência. Os tempos hoje são outros. Num projeto de vida em que as pessoas são tidas como máquinas, qualquer sombra de melancolia, de tristeza, de dor, deve ser abolida. Por uma simples razão: máquina não sente dor! Aos saudosos e melancólicos do presente, resta-lhes apenas o afogar-se nos remédios. É assim que lidamos com nossas tristezas: afogando-nos nos compridos.

 O trecho da tradição bíblica que está em epígrafe acima faz referência à tristeza segundo Deus. Dorothee Sölle assim o interpretou: A presença divina nunca é presença observadora: a presença divina é sempre dor ou alegria de Deus. Mas, o que distingue a tristeza divina das tristezas do mundo? pergunta o apóstolo dos gentios. Tristeza do mundo é tristeza que gira em torno de si mesma, patina sem sair do lugar. É tristeza que paralisa no remorso, na lástima, no mórbido ruminar as faltas passadas, na lamúria sem fim. Nada se transforma, nada se metamorfoseia, nada muda. É tristeza que não conhece a esperança, o futuro, por estar afogada no passado. É Tristeza que mata, que corrói, que faz adoecer. Como exemplo, atente-se às tristezas próprias do mundo da aparência: a anorexia, a bulimia, sofrimento de um corpo que morre para parecer belo. Ou a tristeza do consumo: esse mal-estar diabólico que leva do nada a lugar nenhum. A tristeza da guerra, da destruição que faz morrer a palavra e perpetua o ódio.

 A tristeza segundo Deus, porém, produz mudança, movimento, superação, transformação, produz vida. É tristeza que não patina nas culpas, mas avança na responsabilidade. Tristeza de parturiente, que traz a esperança e o futuro no ventre. É tristeza que gera a sagrada ira, a santa indignação, o grito, a libertação. Sem a participação na tristeza divina, o domingo da ressurreição não passa de oba-oba. Que as quaresmeiras e os ipês roxos, também próprios do tempo quaresmal, nos convidem a participar da tristeza segundo Deus, aquela que verdadeiramente nos conduz à mudança, ao arrependimento, à transformação.

O sofrimento é a sina para os românticos, para quem tem alma de artista.

sofrer O sofrimento é a sina para os românticos, para quem tem alma de artista.

Em primeiro lugar é bom logo avisar (como alias já o fez um grande pensador francês, Rosseau), romantismo é diferente de romance. Ou, como disse uma sabida amiga mineira: “namoro é namoro, romance é romance e lance é lance”! Isto deve ficar claro quando afirmo o que os românticos já sabem de cor: um bom romântico é alguém que sofre muito e pelas mais variadas coisas.

O romântico sofre por ter aguardado por anos a fio o sim de um amor não correspondido, ou o reconhecimento por um esforço empreendido, ou por não ter nunca recebido aquela tão sonhada promoção no mundo corporativo. Um verdadeiro romântico não sofre apenas por amor, sofre mais é por pura decepção.

O romântico sofre por sua falta de percepção certeira das coisas. Por não enxergar o mundo exatamente como ele é. Você sabe exatamente como é o mundo? Você precisaria de mais do que tinta preta e branca e ainda só um bocado de azul, amarelo e vermelho para pinta-lo para mim? Concorda que o mundo se divide entre dias mais ou menos cinza, algumas noites de dor e incerteza, momentos em que só a fé nos sustenta e muitas (e para algumas pessoas nem tantas) manhãs de sol?

Românticos garantem a si próprios que sabem como o mundo funciona: o mundo, para eles, é um lugar onde ao final é o bem que sempre vence, onde todos podem ser reconhecidos pelas próprias intenções e, ainda, aonde todos tem direito à felicidade. Para pintar então um quadro sobre o mundo tal como o romântico o percebe: matizes! Uma paleta repleta delas, muitas e muitas cores porque tudo é belo demais para parecer monocromático. O paraíso do romântico é já aqui e isto, claro, dura ao menos até a página 2…

Logo chegam os dias de tempestade, as grandes decepções, o tempo de dizer “como isso foi acontecer comigo(?)”. É o dia em que um sonho acaba ou que um castelo (de areia fina) dá sinais de que logo desmoronará… e, lágrimas… e, aquela sensação de culpa aliada a uma boa dose de fossa que atende pelo nome de frustração.

Talvez o que o romântico não perceba é que este é o momento exato em que sua fantasia desmorona e as coisas se apresentam apenas como realmente são. É o dia da libertação, em que as vendas de seu olhos finalmente lhe são tiradas: aquele amado, nunca amou de verdade; aquele futuro nunca fora promissor; aquele chefe jamais ousou pensar em confiar em você… tudo ali, claro e agora nu e, entretanto, o romântico não havia parado para compreender a objetividade das coisas. É que onde existem indícios de um crime, o romântico enxerga as premissas de uma linda história de felicidade.

 Todavia, o que seria do mundo se não fossem estes seres de alma de artista? Capazes de plantar palavras, colhendo poesias e de adoçar o mundo com juras de amor que seriam como rosas privadas de todos os ardilosos espinhos? O que seria da vida se no lugar do romantismo existisse apenas a objetividade e não a abstração? Será mesmo que é triste a sina do romântico, a de fazer sorrir, mesmo quando o mundo parece lhe fazer querer chorar?

Conforta saber que ao menos sempre haverá para todos, lindas manhãs de sol… será que não?

#fechadoComOTinga: o racismo, as teclas de um piano e uma belíssima canção de Paul McCartney.

piano #fechadoComOTinga: o racismo, as teclas de um piano e uma belíssima canção de Paul McCartney.

A canção é Ebony And Ivory (Ébano e Marfim) do ex-Beatles Paul. Nela o tema do racismo e da convivência é tratado pela metáfora da harmonia  das teclas de um piano. Uma mensagem que em tempos de #FechadoComOTinga ganha novo vigor. Afinal, “todos sabemos que as pessoas são iguais aonde quer que vamos” … será mesmo? A reflexão sobre o racismo que o caso mais recente no futebol internacional trouxe a tona (leia aqui) cria uma oportunidade para que cada um reveja conceitos e reformule posturas. (Em se tratando de futebol, específicamente, acho tão terrível quanto o racismo dirigido ao Tinga, as provocações violentas das torcidas e as ofensas, verbais ou físicas, para quem apenas escolheu um time diferente para chamar de “seu”). Ouça a música e conheça sua belíssima mensagem:

Link para o Youtube aqui ó: Ebony and Ivory Paul McCartney and Stevie Wonder (lyrics)

Ébano e marfim

Ébano e marfim vivem juntos em perfeita harmonia

Lado a lado no meu teclado, oh Deus, por que nós não?

Todos sabemos que as pessoas são iguais aonde quer que vamos

Há mal e bem em todo mundo,

Aprendemos a viver, aprendemos a dar

Uns aos outros o que precisamos para sobrevivermos juntos.
Ébano e marfim vivem juntos em perfeita harmonia

Lado a lado no meu teclado, oh Deus, por que não

nós?
Ébano, marfim, vivendo em perfeita harmonia

Ébano, marfim, ooh
Todos sabemos que as pessoas são iguais aonde quer que vamos

Há mal e bem em todo mundo,

Aprendemos a viver, aprendemos a dar

Uns aos outros o que precisamos para sobrevivermos juntos.
Ébano e marfim vivem juntos em perfeita harmonia

Lado a lado no meu teclado, oh Deus, por que nós não?

Ébano, marfim, vivendo em perfeita harmonia

Link para letra e tradução: http://www.vagalume.com.br/paul-mccartney/ebony-and-ivory-traducao.html#ixzz2tUOKom2V

UPDATE: Comentário de Beatriz Lott na página do blog no Facebook. Gostei tanto de ler, que o acrescento a este texto: “Beatriz Lott diz Boa Claudio! Amo esta música. Não sei se sabe, mas o Paul a fez junto com o gêêênio do Steve Wonder!!! E outra curiosidade: o Milton Nascimento fez “Certas canções” por causa desta música. Demais, não?” Realmente!