Lições da natureza sobre a meditação ou, o que as mentes inquietas precisam saber para alcançarem a contemplação.

meditation leaf Lições da natureza sobre a meditação ou, o que as mentes inquietas precisam saber para alcançarem a contemplação.

Por Cláudio Bernardes: Conta-se que um jovem foi visitar no Monte Athos um sábio de nome Serafim. Queria descobrir os segredos da verdadeira meditação  e o modo de como extrair desta prática, as energias necessárias para encarar com disposição e bom humor o cotidiano da vida.

Após muita insistência o sábio Serafim o mandou sentar-se e aprender a meditar com uma MONTANHA. Não sem sentir um pouco de raiva do sábio, o jovem ficou alguns dias a contemplar uma montanha e passou a aprender com sua solidez e firmeza. Descobriu que uma montanha não se perturba, simplesmente PERMANECE. E o jovem passou a permanecer em meditação até o dia em que um grupo de peregrinos o saudou e ele, simplesmente os ignorou.

É que o jovem estava tão envolto naquela prática que perdeu a leveza e a capacidade de olhar ao redor. Serafim, que a tudo observara, interviu. Mandou que o jovem meditasse como uma PAPOULA. Pouco a pouco, o jovem percebeu a flexibilidade e a humildade daquela flor. Ela SE DEIXA CONDUZIR pelo vento, pensou. Mais passavam-se os dias e mais ele mergulhava na contemplação daquela preciosidade que era a flor. Chegou inclusive a dizer um dia “não é a flor que nasce na montanha, é a montanha que nasce ao pé da flor…”

Aquilo já era viajar demais. O sábio Serafim, percebendo toda aquele encantamento, ordenou que o jovem fosse aprender a meditar com o OCEANO. O jovem logo aprendeu a ser como o mar que mesmo com suas agitações na superfície,  CONSERVA INTACTA A SUA PROFUNDIDADE.  Ali, cada gota de mar contém a identidade toda do mar. Cada, gota SE FAZ UM com o oceano e isso era uma grande lição.

Quando aprendeu a orar com oceano, o jovem foi instruído a orar como ABRAÃO.  Abraão era o homem a quem Deus prometera um filho – que foi chamado Isaac – e que depois concordara com o pedido do próprio Deus quanto a sacrificar este filho.  Com Abraão o jovem descobrira que NADA PERTENCE AO EU, nem mesmo Isaac, o filho da promessa.  A vida não o devia nada, era Deus o único capaz de dar e de tomar de volta. Foi neste momento, quando o jovem aprendeu a não mais chorar por suas perdas,  pelas consequências dos fatos e pelas coisas da vida que em seu coração surgiu a mais profunda das contemplações: Ver Deus, o todo poderoso, como um Abbá, isto é, como a um paizinho, que a tudo conduz. Então o jovem aprendeu a meditar e a orar como Jesus, e dizia de todo coração: Pai nosso…

(Inspirado no texto de Ives Leloup: Escritos sobre o hesicasmo – Uma tradição esquecida)