2014: No final dessas eleições, o LUTO é justificado sim!

 brasil chora 2014: No final dessas eleições, o LUTO é justificado sim!Com o resultado das Eleições para a Presidência da República de 2014, nos deparamos com um país não apenas dividido, mas fracionado em três grandes grupos: eleitores que elegeram o PT, seguidos por uma diferença pequena de eleitores que votaram na oposição e ainda um grupo que ou não votou, ou anulou seu voto. Enquanto o primeiro grupo comemora e o último, sobretudo por parte daqueles que optaram pelo branco ou nulo, parece não se importar, grande parte dos que apostaram seus votos na alternância de poder agora exibem a simbologia do luto.

Uma atitude que se justifica: com a eleição da presidenta, o País endossou novamente o atual governo com suas contradições, seus méritos e deméritos e sobretudo com a já conhecida lista de obras inacabadas, contratos secretos com governos de viés comunista, transposições inconclusas, negação da atual situação econômica, Programas de Assistência com muitas portas de entrada e poucas de saída. A democracia, soberana, deu a alguns presos da Papuda a alegria de um brinde, em uma cela decorada com a foto da ex-terrorista Coração Valente e permitiu ainda que alguns brasileiros postassem fotos com seu cartão Bolsa Família e a comemoração de que serão mais quatro anos recebendo tal benefício.

No país da democracia, venceu o medo de um futuro ainda mais incerto, venceu a campanha das acusações, da psicologia barata, das mentiras. Venceu a militância profissional. Venceu também a ilusão: gente que acha que “tudo” isso que o PT conquistou não tem nada a ver com o atrasado governo psdbista de outrora (sic) e não está prestes a ruir.  Gente que não enxergou que a conta do populismo, sem que exista crescimento econômico, não se sustenta (Governar só para os pobres como sugeria Luciana Genro, com que dinheiro se o Governo é apenas um repassador da grana que nós o entregamos para gerir o Estado?). Sem empresas que prosperem e sem uma saída da atual estagnação econômica não adianta nenhuma economista cursar Senai ou Pronatec, presidenta.

O silêncio também venceu nesta votação: Por que os bancos públicos não contaram a verdade para o país, de que já não possuem mais condições de seguir com os empréstimos, pois estão zerados? Por que o governo segurou dados?  Por que não se revela que são as empreiteiras as que mais ganham com os programas do tipo Minha Casa, Minha Vida? (A candidata eleita poderia inclusive não ter aceitado o dinheiro das empresas para financiamento de sua propaganda política já durante a campanha, mas só depois que aceitou é que se disse contra este tipo de atitude…) Por que a televisão não alardeou a verdadeira explicação sobre a taxa de desemprego, uma vez que no setor da indústria, da construção civil e em outros setores a coisa já está indo de férias coletivas à demissão em massa?

O que mais dói é todavia a pandemia de corrupção  que se instaurou nestes anos no País. Só para ficar com a Petrobrás já seria de chorar mas daí nos damos conta do perigo por detrás do nosso sistema de votação, sem possibilidade de recontagem de votos, com confiança atestada apenas por alguém que nos diz “é 100% seguro”. Talvez seja bom mencionar que no Tribunal Superior Eleitoral quem comanda é alguém do partido do Governo e que a isso se dá o nome de aparelhamento do Estado. Sobre o desempenho da Eletrobrás, a estatal que consegue ser menos eficiente que todas as demais, melhor até é ficar quieto….

Fomos dormir naquele Domingo, 26 de outubro de 2014, com a certeza de que muitos valores estão diluídos no puro marketing e no discurso de quem sabe manipular dados a seu favor. Dormimos certos de que as falhas administrativas cometidas em governos da oposição tiveram um peso muito maior que ação comprovadamente vampiresca dos corruptos e corruptores que sugam, se enriquecem e voltam a sugar mais. Não é que acreditássemos em governo perfeito, apenas esperamos que as urnas julgassem o Governo atual pelas promessas não cumpridas desde as manifestações de 2013, pelas confusões no setor elétrico, pelo trem-bala, pela reforma política nunca feita, pelo afugentamento dos investidores, pela falta de um Programa de Governo, pelo conselho de substituir carne por ovos… e pelo “eu não sabia”, marca emblemática da gestão PT.

Respeitemos a maioria, mesmo desconfiados da eficácias de nossas urnas eletrônicas. Mas, nos permitamos o luto que no tempo certo a que se reverter em esperança. Do luto a luta, pois permanecer só no choro não é coisa de brasileiro não. Ou será que é?

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Nós e eles. Uma reflexão sobre a LIBRAS.

maos falam Nós e eles. Uma reflexão sobre a LIBRAS.

Inicio a leitura de mais uma unidade sobre a Linguagem Brasileira de Sinais. Retomo alguns pontos interessantes, tendo ainda em mente as respostas dadas por um jovem, ouvinte, à um questionário que apliquei sobre a linguagem dos surdos. Apesar do relato dele sobre toda a curiosidade atiçada por uma escola que se preocupou em revelar aos seus alunos, ouvintes, um pouco mais sobre o modo como algumas outras pessoas se expressam no mundo, o que o entrevistado me disse beirava o que eu até bem pouco tempo sabia também: quase nada a respeito.

Nós, ouvintes, sabemos que existe um grupo com linguagem própria. Possivelmente desconhecemos como esta linguagem surgiu, quais são suas especificidades e, o que torna tudo ainda mais distante, nem sabemos como adentrar este mundo. O mundo deles não é necessariamente o mundo dos surdos, mas também dos ouvintes que não só conhecem a LIBRAS, ou outras linguagens de acordo com o país em que se encontram ( a linguagem de sinais não é universal), mas que conhecem igualmente as dificuldades que a barreira da linguagem podem impor.

Eles”, por outro lado, corresponde então a um grupo minoritário formado por um educador atendo que abraçou a causa, um pai, uma mãe ou um outro familiar amoroso que buscou aprender LIBRAS para que a comunicação em casa fosse a melhor possível e para que a criança surda se estimulasse ainda mais a aprender os sinais, ou um outro profissional capacitado e claro, os surdos que se capacitaram para a utilização desta linguagem.

Nós, os não conhecedores desta forma de expressão, não enxergamos as barreiras, ou talvez as conheçamos apenas de modo tímido. Barreiras transponíveis, desde que aja esforço, educação e interesse. Barreiras que, quando descortinadas, nos colocam em contato com outros iguais: que pensam, que contam piadas, que sabem coisas que não sabemos e que são capazes de ensinar e aprender, de amar e de receber amor. Eles podem não escutar nossa fala, mas estão longe de serem incapazes de uma comunicação entre iguais. Salvo as diferenças, na essência, nós e eles, formamos um conjunto único de pessoas, com uma infinitude de novas possibilidades.

Ps: Este breve texto foi elaborado como tarefa de um curso de complementação pedagógica que estou prestes a finalizar.  Em tal curso, uma das disciplinas foi justamente a Linguagem Brasileira de Sinais.  Separei ainda alguns mitos que acho bacana esclarecer aqui:

Mito 1:  A língua de sinais seria uma mistura de pantomima e gesticulação concreta, incapaz de expressar conceitos abstratos.

Tal concepção declara que os sinais não são símbolos arbitrários como as palavras, mas carregam uma relação icônica ou representacional de seus referentes. No entanto, vários estudos concluíram que as línguas de sinais expressam conceitos abstratos. Pode-se discutir sobre política, economia, matemática, física, psicologia em uma língua de sinais, respeitando-se as diferenças culturais que determinam a forma de as línguas expressarem quaisquer conceitos.
MITO 2:  Haveria uma única e universal língua de sinais usada por todas as pessoas surdas.
Essa concepção ainda faz parte do senso comum. As pessoas normalmente perguntam se as línguas de sinais não são universais. Cada país apresenta sua respectiva língua de sinais. A língua de sinais americana é diferente da língua de sinais brasileira, assim como estas diferem da língua de sinais britânica, da língua de sinais francesa, e assim por diante.
MITO 3:  Haveria uma falha na organização gramatical da língua de sinais, que seria derivada das línguas de sinais, sendo um pidgin sem estrutura própria, subordinado e inferior às línguas orais.
 Em relação a essa concepção, pode-se comprovar que as línguas de sinais são completamente independentes das línguas faladas nos países em que são produzidas. Um exemplo disso são as diferenças entre as línguas de sinais brasileira e portuguesa, apesar dos respectivos países em que são usadas pelas comunidades surdas falarem a língua portuguesa. Assim sendo, é um erro pensar que as línguas de sinais são subordinadas às línguas faladas.
MITO 4:  A língua de sinais seria um sistema de comunicação superficial, com conteúdo restrito, sendo estética, expressiva e linguisticamente inferior ao sistema de comunicação oral.
A alegação de empobrecimento lexical nas línguas de sinais surgiu a partir de uma situação sociolinguística marcada pela proibição e intolerância em relação aos sinais na sociedade e, em especial, na educação. Entretanto, sabe-se que tais línguas desenvolvem itens lexicais apropriados a situações em que são usados. À medida em que as línguas de sinais garantem maior aceitação, especialmente em círculos escolares, registra-se aumento no vocabulário denotando referentes técnicos.
MITO 5: As línguas de sinais derivariam da comunicação gestual espontânea dos ouvintes.
A ideia de que as línguas de sinais não são línguas, mas sim apenas “gestos” que se originam na comunicação gestual espontânea, e portanto, universal, inferior e limitada, advém de longa data, quando acreditava-se que a linguagem estava associada à capacidade do ser humano de “falar”. Essa concepção histórica perpassou os preceitos religiosos e as questões político-sociais. As igrejas ensinavam os surdos a falarem para que esses confessassem sua fé., caso contrário, estariam fadados à queimar no inferno. Pelo contrário, obrigou-se o uso da fala, mesmo sendo essa bastante limitada, não produtiva e, na maioria das vezes, sem significado para o surdo.
MITO 6: As línguas de sinais, por serem organizadas espacialmente, estariam representadas no hemisfério direito do cérebro, uma vez que esse hemisfério é responsável pelo processamento de informação espacial, enquanto que o esquerdo, pela linguagem.
 Bellugi e Klima (1990) apresentam resultados de pesquisas com surdos co m lesões nos hemisférios esquerdo e direito do cérebro. As pesquisas mostraram que aqueles com lesão no hemisfério direito tinham condições de processar todas as informações linguísticas das línguas de sinais. Por outro lado, os surdos com lesão no hemisfério esquerdo tinham condições de processar as informações espaciais não-linguísticas, mas não conseguiam lidar com as informações linguísticas. Portanto, tais estudos indicaram que as línguas de sinais são processadas no hemisfério esquerdo, assim como quaisquer outras línguas. Esse estudo comprova que a linguagem humana independe da modalidade das línguas.

POR: Ronice Muller de Quadros e Lodenir Becker Karnopp

Eleições 2014: Como foi que nos tornamos tão chatos?

 Eleições 2014: Como foi que nos tornamos tão chatos?

Acompanho o feed de notícias do Facebook e é como se de repente, fosse dia de decisão de Campeonato de Futebol.  Algo como Corinthians e São Paulo, ou Atlético e Cruzeiro, Flamengo e Fluzão. Xingamentos, histeria, fanatismo. Só que não.

A moça que religiosamente chama os torcedores do Galão mineiro de marias nem está lá para comentar mais nada. Só a torcida da Dilma e a torcida contra o PT.  Historicamente, é bom que se diga, foi a turminha da Dilma que começou. O Partido dos trabalhadores é um partido de militância. O PSDB não. Mas calma que isso não é ofensa, é só um pouco de informação, uma coisa mínima, que é no mínimo o que  mais falta na geralzona da torcida eleitoral na qual o Face se transformou.

E eu?  Eu lá. Postando, compartilhando, debatendo, politizando… e entretanto preciso confessar que sinto falta, digo de certa forma, do primeiro turno destas eleições: com aquela graça de poder pensar diferente, com a leveza da múltipla escolha, dos memes, dos nanicos que mitavam na tv e das pequenas tréguas….

Acho que minha beleza realmente cansou com a chegada do segundo turno em que meu face ficou tudo tipo mano a mano,  como um duelo de titãs marcado para acontecer dentro de pouco tempo. Não encontrei mais espaço para debater ideias, nem ideologias, mas encontrei muita manobra, manobrantes e manobráveis. Gado e massa. Iludidos e ilusionistas. Encontrei bobos e encontrei chatos.

O debate de ideias acabou, o enriquecimento político se foi, a competição esquentou os ânimos. Alguns, sumiram do mapa. Outros , passaram a ofender nordestinos, ou paulistas,  pobres ou ricos, bolsas ou iogurtes, em nome de um país melhor, mais desenvolvido. E eu, que tenho um time, uma visão política, uma porção de contradições, neste tempo me deparei com mais uma pergunta: como ou, por que cargas d’água  o ser humano consegue ser tão pouco nobre?

Em tempo: é honestidade intelectual não forjar dados, por mais irrelevantes que sejam, não tapar o sol com a peneira, não ajudar a espalhar e a fazer propaganda do que é enganoso, mentiroso e fajuto. O marqueteiro é pago para dourar a pílula, vender o peixe, empurrar a mercadoria, desovar o estoque. Mas nós não! Igualmente não ganharemos nada espalhando medo na população menos esclarecida. Sinto demais em ver gente que se diz politizada, baixando o nível deste momento da história política do Brasil em nome de uma ideologia.

Usaremos o “idiota útil” na linha de frente. Incitaremos o ódio de classes. Destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade… “ Lênin.

O TOP10 das contradições humanas. Ou, coisas que me deixam realmente confuso.

CONFUSA O TOP10 das contradições humanas. Ou, coisas que me deixam realmente confuso.

Começo com um comentário que publiquei na minha página pessoal  do Facebook e que teve, por assim dizer, bastante participação. Trata-se da frase: “A pessoa é a favor do aborto e militante na proteção dos animais. Como proceder?”. A partir daí, listei 10 coisas que escuto/vejo por ai e que me deixam realmente confuso. A lista é claro é bem maior que isso, afinal nada mais me surpreende,  mas em tempos de campanha eleitoral, selecionei 10 posições políticas, ou nem tanto, para nossa alegria:

1) A feminista que é contra a mercantilização/objetificação da mulher, mas defende a prostituição como uma profissão entre outras.

2) A Pessoa que defende o estado mínimo, mas protesta por não ser bem atendido no SUS , ou por não encontrar vaga na escola pública mais próxima de sua residência.

3) O riquinho esquerdista de viés marxista que não dividirá com a humanidade a sua herança.

4) A pessoa que não tem partido, nem candidato mas milita por mais consciência política, ou por mudanças a partir das próximas eleições.

5) A pessoa que luta pelos direitos humanos e abomina os evangélicos.

6) Quem afirma que as “minorias” estão isentas de cidadãos brancos, e que todo branco faz parte da maioria  rica, é da elite.

7) A mulher que se denomina feminista e vadia e é romântica.

8) O cristão que prega o amor e massacra quem não segue os dogmas do cristianismo. Ou o cidadão que é contra o aborto e a favor da pena de morte e, ainda, o católico que prega o criacionismo como alternativa à teoria da Evolução.

9) Gente que defende os direitos GLSBTetc mas não tá nem ai para a população quilombola do país.

10) Brasileiro que pega a torcedora do Grêmio que insultou o goleiro Aranha como bode expiatório, mas afirma com convicção que NUNCA ficaria/casaria com um(a) negro(a).

E assim caminha a humanidade… rs.

Novos amigos, mas somente até a página seguinte?

divergências Novos amigos, mas somente até a página seguinte?Sei lá se acontece com frequência: você conhece alguém, papo bacana, reto, afinidades.  Um cumprimento no ponto de ônibus, um cafezinho no intervalo da tarde ou uma esbarrada ligeiramente orquestrada pelo destino… logo de cara a situação se esclarece: pelos mais variados motivos a palavra romance não vem ao caso e, em breve, dentro de um prazo que vai durar entre semanas, alguns meses ou mais de um ano, você encontrou e se tornou um amigo de alguém.

Não me refiro à simples percepção de estar em companhia de gente simpática ou de alguém agradável apenas. As marcas da amizade são muito mais que isso. Ontem mesmo recebi um e-mail (o usual seria uma mensagem de Facebook, mas a remetente do tal e-mail é daquelas que curte até escrever cartas), onde se lia:

“Essa tal de amizade pra mim é raiz
Que deixa marcas no solo
É a beleza do colo, do ombro e do sim”

Sou daqueles que dá muito valor à amizade, embora quase nunca expresse isso aos meus amigos. Pareço distante, intransponível, incomunicável. “Sumido” é provavelmente uma palavra que resume. Talvez pelo fato de que fui criado dentro do mantra materno que me dizia “o verdadeiro amigo é aquele que aparece e desaparece na hora certa”.  Enfim, não sou de ligar, de mandar recado, de perguntar por texto se está tudo bem. Mas gosto da mágica que ocorre quando encontro um verdadeiro amigo, uma semana, um mês ou anos após nosso último encontro e tudo transcorre como se não houvesse nunca ocorrido alguma separação. Amigos novos são sempre bem-vindos: à minha casa, aos meus programas, aos círculos dos meus “amigos de sempre” e ao círculo ainda mais restrito dos “amigos para sempre”, às minhas redes sociais. Amigo é coisa rara, encontrar um é como encontrar um tesouro e por isso me empolgo muito quando uma pessoa adentra este espaço seleto que é meu coração.

Ocorre porém que eu sou quem sou: sincero, genioso, insistente… há coisas que para mim são impossíveis! Omitir minhas opiniões sobre assuntos políticos, esconder qual o meu time de futebol favorito, assumir minhas convicções éticas, negligenciar minhas opiniões sobre uma nefasta música ruim… simplesmente não dá. É nessas horas que muitas vezes o amigo promissor acaba por se distanciar. É que ele ou ela confundiram uma posição diferente sobre este ou aquele assunto com  a tal incompatibilidade de gênios, algo que (pense bem) não resistiria nem ao primeiro café tomado juntos.  Talvez não tenham lido no manual da vida que se uma pequena chama de amizade já se acendeu, deve ser de interesse mútuo mantê-la acessa. Ou se esqueceram do que Saint Exupery lembrou à raposa: aquilo a que cativamos passa ser de nossa eterna responsabilidade. (juntar o tema da amizade com um trecho de O Pequeno Príncipe, quem nunca? rsrsrs) 

As vezes, confesso, me incomodo apenas. Outras, tento deixar claro que gosto de conversar com quem pensa diferente, com quem me exige argumentos, com quem me faz querer “brigar”, isto é, sair de minha zona de conforto e minhas “convicções”. Depois penso que se tiver de ser, será. No jogo das diferenças a vida realiza suas seleções naturais e, mesmo assim, intenso que sou, sofro um cadinho na mesma proporção das boas novas lembranças. Mas enfim, aos velhos amigos, os de perto e os de longe, a minha gratidão: gente que sabe exigir o melhor de mim.  E se acaso surgir a pergunta sobre o meu sumiço, lembre-se que você, mais que ninguém, é que conhece este meu jeito de ser.

O “Top10″ do Papa Francisco sobre a Felicidade.

papa2 O Top10 do Papa Francisco sobre a Felicidade.

Papa Francisco concedeu uma entrevista à revista argentina Viva, publicada no dia 27 de julho, em que deixou para os leitores algumas dicas preciosas para ajudar na busca da felicidade. Eis os 10 conselhos do Papa:

1) Viver e deixar viver, primeiro passo para a felicidade
“Aqui os romanos têm um ditado e podemos levá-lo em consideração para explicar a fórmula que diz: ‘Vá em frente e deixe as pessoas irem junto’.” Viva e deixe viver é o primeiro passo da paz e da felicidade.

2) Doar-se aos outros para não deixar o coração dormindo
“Se alguém fica estagnado, corre o risco de ser egoísta. E água parada é a primeira a ser corrompida.”

3) Mover-se com humildade, com benevolência entre as pessoas e as situações
O Papa usa o termo “remansadamente”, de um clássico da literatura argentina. “No [romance] ‘Dom Segundo Sombra’ há uma coisa muito linda, de alguém que relê a sua vida. Diz que em jovem era uma corrente rochosa que levava tudo à frente; quando adulto era um rio que andava para a frente e que na velhice se sentia em movimento, mas remansado. Eu utilizaria esta imagem do poeta e romancista Ricardo Guiraldes, este último adjetivo, remansado. A capacidade de se mover com benevolência e humildade, o remanso da vida. Os anciãos têm essa sabedoria, são a memória de um povo. E um povo que não se importa com os mais velhos não tem futuro.”

4) Preservar o tempo livre como uma sadia cultura do ócio
“O consumismo levou-nos a essa ansiedade de perder a sã cultura do ócio, desfrutar a leitura, a arte e as brincadeiras com as crianças. Agora confesso pouco, mas em Buenos Aires confessava muito e quando via uma mãe jovem perguntava: Quantos filhos tens? Brincas com os teus filhos? E era uma pergunta que não se esperava, mas eu dizia que brincar com as crianças é a chave, é uma cultura sã. É difícil, os pais vão trabalhar e voltam às vezes quando os filhos já dormem. É difícil, mas há que fazê-lo”.

5) O domingo é para a família
“Um outro dia, em Campobasso (Itália), fui a uma reunião entre o mundo universitário e mundo trabalhador, todos reclamavam que o domingo não era para trabalhar. O domingo é para a família”.

6) Ajudar de forma criativa os jovens a conseguir um emprego digno
“Temos de ser criativos com este desafio. Se faltam oportunidades, caem na droga. E é muito elevado o índice de suicídios entre os jovens sem trabalho. Outro dia li, mas não me fio porque não é um dado científico, que havia 75 milhões de jovens com menos 25 anos desempregados. Não basta dar-lhes comer, há que inventar cursos de um ano de canalizador, electricista, costureiro. A dignidade de levar o pão para casa”.

7) Cuidar da natureza, amar a criação
“Há que cuidar da criação e não o estamos fazendo isso. É um dos maiores desafios que temos.”

8) Esquecer-se rapidamente do negativo que afeta a vida
“A necessidade de falar mal de alguém indica uma baixa auto-estima. É como dizer ‘sinto-me tão em baixo que em vez de subir baixo o outro’. Esquecer-se rapidamente do negativo é muito mais saudável”.

9) Respeitar o pensamento dos outros
“Podemos inquietar o outro com o testemunho para que ambos progridam com essa comunicação, mas a pior coisa que se pode fazer é o proselitismo religioso, que paralisa: ‘Eu dialogo contigo para te convencer’. Não. Cada um dialoga sobre a sua identidade. A Igreja cresce por atração, não por proselitismo”.

10) Buscar a paz é um compromisso
“Vivemos uma época de muitas guerras. Na África parecem guerras tribais, mas são algo mais. A guerra destrói. E o clamor pela paz é preciso ser gritado. A paz, às vezes, dá a ideia de quietude, mas nunca é quietude, é sempre uma paz ativa”.

Fonte: Aleteia 

Política: a difícil arte de gerir desejos.

a política Política: a difícil arte de gerir desejos.

Afinal o que é mesmo política e o que devemos (e o que não devemos) esperar dela? Como já afirmou certa vez um professor de Ética, quando o assunto é política, ninguém é virgem.  Mas o senso-comum que é, por razões óbvias, a noção que boa parte de nós tem sobre o tema,  define política mal e porcamente  em dois eixos:

1) Política é Eleição/ É uma atividade eleitoral.

2) Política é gestão das coisas públicas.

Se política é só isso, o pensamento mais comum é o: “isto não tem nada haver comigo. Isto se faz em Brasília, ou, eu não sou candidato…”

Mas, se você me acompanhou nesta breve introdução, lhe asseguro: você por uma série de motivos quer ir além do senso-comum.  Então, bora refletir sobre a vida humana, pois dela depende o entendimento do conceito de política.

Na vida do homem existem coisas inexoráveis/necessárias. Respirar é uma delas. Outras coisas acontecem na base da escolha e da liberdade de decisão. Este é o lado da CONTINGÊNCIA da vida. Contingente é o que pode acontecer de um jeito, mas não necessariamente, pois pode também não acontecer, ou ainda, pode acontecer de outra maneira.

A política é o que há de CONTINGENTE na nossa natureza. É a inteligência a serviço da busca de uma convivência sempre mais aperfeiçoada. A inteligência e a vontade (de todos ou de alguns) definem coisas para além daquelas que, biologicamente, devem NECESSARIAMENTE acontecer.

Por isso política está atrelada às ESCOLHAS. Construir ou reformar? Mudar ou deixar como está? legalizar ou criminalizar? Aprovar ou proibir? A Política, a grosso modo, é sempre “isso em detrimento daquilo”. Em casa, na escola, no trabalho, estamos mergulhados em política. Dizer, portanto, que um gestor público não faz nada, é um erro grosseiro. Ele pode não estar fazendo o que gostaríamos que ele fizesse, mas certamente está escolhendo, ou seja, está fazendo algo.

ORA, para escolher é preciso atribuir valor entre as opções e se perguntar, para cada escolha: Qual o melhor caminho? Qual das opções é melhor? É parte da vida humana o fato de que para todas as coisas contingentes existem várias possibilidades, muitas delas infinitas e contraditórias e até excludentes entre si. Para cada possibilidade não existe uma só resposta e cada escolha feita, definitivamente nunca agrada a todos. A POLÍTICA É POIS, A GESTÃO DE DESEJOS CONTRADITÓRIOS.

Quando falamos da vida em sociedade, os desejos se materializam em INTERESSES. Tornam-se propostas e até ideologias inteiras. Uns agradam conservadores, outros agradam progressistas. Alguns, agradam apenas aos políticos, outros agradam aos pobres e outros  ainda, agradam aos que tem fé. Cada escolha feita agrada alguém ou um grupo, mas nunca TODOS serão agradados. Se todos querem estar no primeiro lugar, por exemplo, o desejo realizado de um, significa o descontentamento de todos os outros que ali queriam estar. E entretanto, não há problema em desejar, em ter interesses.

Mas, como se vê, os desejos esbarram em um mundo escasso. Não há no mundo maneira para que todos os desejos se realizem. Como afirma Hobbes em o Leviatã, se o homem é por natureza desejante, a cidade é por natureza uma guerra. Se a relação entre os homens é uma relação de natureza conflituosa, a política então lida com situações conflitantes.

ps: Quero escrever ainda dois ou três posts sobre o tema. Apartidários e filosóficos. A quem interessar possa rs.

Balanço do governo federal sobre a COPA é desonesto e politiqueiro.

a dilma Balanço do governo federal sobre a COPA é desonesto e politiqueiro.

 

Nessa segunda-feira (14) a presidente Dilma Rousseff  apresentou para a imprensa um “”balanço” sobra a Copa do Mundo.  Chamo a atenção para a rapidez com que o tal “balanço” foi feito mas, em todo caso, o que foi apresentado lembra em muito um discurso eleitoral de propaganda política. Estavam lá,  entre outros, José Eduardo Cardozo (da Justiça), Aldo Rebelo(do Esporte), Paulo Bernardo (das Comunicações), Thomas Traumann (da Comunicação Social), Luiz Alberto Figueiredo (das Relações Exteriores) e Celso Amorim (da Defesa). E Dilma afirmou:

  “Os prognósticos que se faziam sobre a Copa eram os mais terríveis possíveis. Começava com ‘não vai ter Copa’ e com ‘vai ser a Copa do caos’. Derrotamos a previsão pessimista e realizamos essa Copa das Copas”.

Era o tom da conversa informal. Afinal, quem realmente fez tais prognósticos? Quem, senão usuários das redes sociais e o povo manifestando nas ruas? Isto significa que Dilma lê nossos desabafos e acompanha nossas postagens no face? Então ela escuta as voz das ruas que está cada vez mais abafada pela questionável tática black bloc? Se escutou, se leu,  e agora se preocupou em nos dar uma resposta, se o governo federal guardou a voz dos protestos durante a Copa das Confederações e agora traz a público a desforra, por que não responder, com a mesma velocidade, às outras reivindicações tão mais sérias e de real interesse para o povo?

A paciência de nossa gente, aliada à disposição em se fazer festa, a alegria dos brasileiros em ver gringos, fotografar gringos, acolhe-los bem. Pelo menos no quesito descontração fizemos bonito sim. Mas então, podemos dizer que o maior legado da Copa, já nos pertencia: nossa condição brasileira. Afinal, ainda somos o país da hospitalidade e, infelizmente, também o do “deixa para lá”. Os protestos que tomaram as ruas do país no ano passado andam cada vez mais escassos, temos medo da reação da PM e da tática de guerrilha de alguns manifestantes. Paramos de reclamar para, enfim, torcer mas isso não faz desta a Copa das Copas.

Talvez para muitos gringos esta experiência tenha sido realmente incrível. Não porque a organização da Copa tenha sido brilhantemente executada, afinal de aeroportos à outras necessidades, muita coisa até que realmente funcionou, apesar de não estarem realmente concluídas. Então, se o caos não se instaurou, sorte a deles, sorte a nossa, sorte a da inquieta FIFA que teve que botar muita pressão sobre nossos políticos para que as coisas funcionassem.

 Mesmo assim, Dilma afirmou que organizar o Mundial “foi uma árdua conquista” para o governo federal (oi?). Segundo ela, o Brasil demonstrou que tem condições de assegurar infraestrutura, segurança e tratamento adequado a turistas, seleções e chefes de Estado.  Chamo atenção para mais esta fala da presidente recordando o viaduto que despencou em Belo Horizonte, umas das obras incluídas em um pacote de promessas chamado O Legado. Muitos dos que apoiam o governo federal não tardaram em apontar como culpada a contratante, isto é, a prefeitura de BH. Possivelmente estarão certos, o que contudo nos faz lembrar que os méritos e os deméritos em relação ao legado da Copa não são apenas do governo federal, pois os Estados e municípios também tiveram que correr para tentar aprontar as coisas a tempo. Ou será que quando as coisas dão certas, aí sim, foram feitas só pelo governo federal?

Queria ver era um claro balanço econômico sobre este grande evento, mas acho mesmo o caso do viaduto mineiro emblemático e vou parando por aqui com a seguinte reflexão: sem o trem-bala prometido para a Copa, para não listar outras obras que sequer serão executadas, ou não ficaram prontas, ou foram feitas com a mesma qualidade que aquelas da Avenida Pedro I em BH, onde o viaduto despencou; como fazer o balanço da Copa das Copas se a construção do legado prometido aos brasileiros e que deveria ser entregue antes do Mundial, ainda nem terminou?

Dilma fez gracinha. E nós, pagaremos a conta.

crise no setor elétrico Dilma fez gracinha. E nós, pagaremos a conta.

DILMA, ASSIM ATÉ EU DIMINUO A CONTA DE LUZ. Quando Dilma nos prometeu economia com a conta de luz, o que aconteceu depois? Com os valores bem abaixo do valor de mercado, as empresas de fornecimento não participaram do leilão de distribuição de energia, feito junto às hidrelétricas… o jeito foi apelar para o chamado “mercado livre”, que aqui no Brasil fica por conta das termoelétricas (energia eólica pra que né gente) e, no sufoco, o governo teve que intervir e soltar dinheiro para o setor.

Lembra?  “Segundo Dilma, o corte na tarifa de energia para residências será de 18% e para a indústria, de até 32%, mesmos percentuais informados pela Aneel no início da tarde. Os cortes são ainda maiores que os anunciados pela própria presidente em setembro, quando ela afirmou que a redução média seria de 16% para residências e de até 28% para a indústria.

Pagaremos esta conta a partir de 2015.   Ao que parece, começaremos a pagar agora, nem dá tempo de deixar passar as eleições.

O problema vinha se agravando e durante a Copa, todo mundo ficou caladinho. Agora, em Santa Catarina por exemplo, o reajuste será de quase 25%É que o setor de energia elétrica do país se encontra à beira de um colapso. Metade das obras necessárias está atrasada e a dívida pela compra de energia só aumenta. As hidrelétricas não conseguem mais suprir a demanda energética: Furnas chegou durante a Copa à 28% de sua capacidade. No reservatório entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, desde julho, não há mais água suficiente para geração de energia…. No total as hidrelétricas brasileiras já tomaram 11 bilhões de reais em empréstimos para lidar com esta situação, digna de ser chamada gravíssima. Na verdade, já se fala de “a pior crise no setor desde meados dos anos 70.”

“Desculpe o chavão, mas ‘nunca antes neste país’ tivemos uma situação tão nevrálgica no setor energético. Na área de energia elétrica, independente da grave situação causada pela falta de chuvas, houve uma série de medidas um tanto intempestivas que trouxeram insegurança e retração de investimentos, com incremento excessivo da geração termoelétrica. Vemos os custos subindo de forma preocupante e indústrias parando. Na área de petróleo estamos com a produção estagnada desde 2008 e, na de biocombustível, temos 40 usinas paralisadas. Tudo isso não decorre apenas do clima”, advertiu Luiz Augusto Horta Nogueira, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e pesquisador do Nipe.

Especialistas apontam que os atuais problemas do setor das hidrelétricas foram drasticamente agravados  em 2012 quando nossa presidente o governo federal resolveu baixar a conta de luz dos brasileiros. De lá para cá, sem os investimentos necessários, a conta das hidrelétricas não fecha mais. O montante acumulado para os meses em que é preciso recorrer a outros mercados de energia, não foi suficiente para se checar ao fim do ano.

Nem que este blog avisou: Já estamos endividados. Mas sentiremos este problema quando a Copa acabar, senão com a falta de energia, será então com o aumento significativo das contas. Isto, claro, só depois da Copa e também das eleições…

25charge 775 Dilma fez gracinha. E nós, pagaremos a conta.

Foi-se a Copa – Carlos Drummond Andrade –

a copa Foi se a Copa   Carlos Drummond Andrade

Foi-se a Copa? – Carlos Drummond de Andrade

Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
A Copa da Liberdade.

Textos e publicações sobre a sabedoria de amar. Resgate das palavras amor e ética, presente mais nas palavras que nas ações. Blog inspirado nos escritos e na filosofia de Emmanuel Levinas.