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Amor, canino amor.

mel Amor, canino amor.

Desisti de tentar entender qual é a dos cachorros e mais especificamente qual é a dos meus. Digo dos meus assim meio sem jeito porque habitamos o mesmo espaço: um macho da raça Akita, uma fêmea daschhund (que  erroneamente é tida como uma basset), além de outros familiares, estes sim dos meus e não dos cães, que definitivamente são aqueles que  pagam a ração dos peludos (Logo não são verdadeiramente meus os dois bichos) e, evidente, eu-mesmo-da-Silva-Aqui.

O clima não podia ser melhor, mais propenso à felicidade. O percentual de aprontações, entenda-se um xixi em lugar impróprio, é mínimo. No mais são olhares, cabecinhas inclinadas, vigílias, sossegos, patas frenéticas, pirações por um naco de biscoito canino, cambalhotas, me dá um pedaço, lambidas… uma lista extensa de demonstrações desiguais de afeto e de cuidado: da parte deles, o tempo todo; da nossa, apenas quando sobra o tempo ou quando certa carência aperta o peito. Quem tem um cão sabe o que significa dizer que eles são os melhores amigos do homem.

Meu dilema começa justamente por esta afirmação. Que estranha coisa é esta de animais assim tão companheiros, tão carinhosos, tão protetores, tão devotos?

Meu lado razão me sussurra as palavras: 1) instinto; 2) tentativa de garantir comida,  ou seja, instinto; 3) necessidade de pertença a uma matilha, ou seja, instinto; e por ai vai.  In-sis-to, ins-tin-to.

Minha sensibilidade sugere outra coisa: um quê de bondade e de afeto percorre as entranhas por debaixo de seus cobertores de pele coberta de pelos. Será amor?  Chego a insanidade de imaginar de que na outra vida, isto é no lado de lá, no avesso desta em que vivemos – se é justo que teremos à nossa espera “Um novo céu e uma nova terra” – então, neste paraíso da fé dos que acreditam em Jesus, nos surpreenderemos com o abano do rabo de nossos cães de estimação icon smile Amor, canino amor.

Atire a primeira pedra quem não compreende o que, a bem da verdade, não carece de muita compreensão. Estes seres adoráveis confundem tanto a nossa razão, que existem pessoas que chegam ao exagero de enxergá-los, eu digo os cães, como gente como a gente (considero igualmente feio ver gente que trata cachorro feito um cão!). Ao que eu digo:  gente como a gente, não! Um cão é o que é por natureza e os humanos, por natureza, podem minimamente escolher como desejam ser, podendo até, por que não, aprender dos cães lições de companheirismo.

Spock Amor, canino amor.