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2014: No final dessas eleições, o LUTO é justificado sim!

 brasil chora 2014: No final dessas eleições, o LUTO é justificado sim!Com o resultado das Eleições para a Presidência da República de 2014, nos deparamos com um país não apenas dividido, mas fracionado em três grandes grupos: eleitores que elegeram o PT, seguidos por uma diferença pequena de eleitores que votaram na oposição e ainda um grupo que ou não votou, ou anulou seu voto. Enquanto o primeiro grupo comemora e o último, sobretudo por parte daqueles que optaram pelo branco ou nulo, parece não se importar, grande parte dos que apostaram seus votos na alternância de poder agora exibem a simbologia do luto.

Uma atitude que se justifica: com a eleição da presidenta, o País endossou novamente o atual governo com suas contradições, seus méritos e deméritos e sobretudo com a já conhecida lista de obras inacabadas, contratos secretos com governos de viés comunista, transposições inconclusas, negação da atual situação econômica, Programas de Assistência com muitas portas de entrada e poucas de saída. A democracia, soberana, deu a alguns presos da Papuda a alegria de um brinde, em uma cela decorada com a foto da ex-terrorista Coração Valente e permitiu ainda que alguns brasileiros postassem fotos com seu cartão Bolsa Família e a comemoração de que serão mais quatro anos recebendo tal benefício.

No país da democracia, venceu o medo de um futuro ainda mais incerto, venceu a campanha das acusações, da psicologia barata, das mentiras. Venceu a militância profissional. Venceu também a ilusão: gente que acha que “tudo” isso que o PT conquistou não tem nada a ver com o atrasado governo psdbista de outrora (sic) e não está prestes a ruir.  Gente que não enxergou que a conta do populismo, sem que exista crescimento econômico, não se sustenta (Governar só para os pobres como sugeria Luciana Genro, com que dinheiro se o Governo é apenas um repassador da grana que nós o entregamos para gerir o Estado?). Sem empresas que prosperem e sem uma saída da atual estagnação econômica não adianta nenhuma economista cursar Senai ou Pronatec, presidenta.

O silêncio também venceu nesta votação: Por que os bancos públicos não contaram a verdade para o país, de que já não possuem mais condições de seguir com os empréstimos, pois estão zerados? Por que o governo segurou dados?  Por que não se revela que são as empreiteiras as que mais ganham com os programas do tipo Minha Casa, Minha Vida? (A candidata eleita poderia inclusive não ter aceitado o dinheiro das empresas para financiamento de sua propaganda política já durante a campanha, mas só depois que aceitou é que se disse contra este tipo de atitude…) Por que a televisão não alardeou a verdadeira explicação sobre a taxa de desemprego, uma vez que no setor da indústria, da construção civil e em outros setores a coisa já está indo de férias coletivas à demissão em massa?

O que mais dói é todavia a pandemia de corrupção  que se instaurou nestes anos no País. Só para ficar com a Petrobrás já seria de chorar mas daí nos damos conta do perigo por detrás do nosso sistema de votação, sem possibilidade de recontagem de votos, com confiança atestada apenas por alguém que nos diz “é 100% seguro”. Talvez seja bom mencionar que no Tribunal Superior Eleitoral quem comanda é alguém do partido do Governo e que a isso se dá o nome de aparelhamento do Estado. Sobre o desempenho da Eletrobrás, a estatal que consegue ser menos eficiente que todas as demais, melhor até é ficar quieto….

Fomos dormir naquele Domingo, 26 de outubro de 2014, com a certeza de que muitos valores estão diluídos no puro marketing e no discurso de quem sabe manipular dados a seu favor. Dormimos certos de que as falhas administrativas cometidas em governos da oposição tiveram um peso muito maior que ação comprovadamente vampiresca dos corruptos e corruptores que sugam, se enriquecem e voltam a sugar mais. Não é que acreditássemos em governo perfeito, apenas esperamos que as urnas julgassem o Governo atual pelas promessas não cumpridas desde as manifestações de 2013, pelas confusões no setor elétrico, pelo trem-bala, pela reforma política nunca feita, pelo afugentamento dos investidores, pela falta de um Programa de Governo, pelo conselho de substituir carne por ovos… e pelo “eu não sabia”, marca emblemática da gestão PT.

Respeitemos a maioria, mesmo desconfiados da eficácias de nossas urnas eletrônicas. Mas, nos permitamos o luto que no tempo certo a que se reverter em esperança. Do luto a luta, pois permanecer só no choro não é coisa de brasileiro não. Ou será que é?

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Na abertura da Copa, até o Fuleco ficou de fora!

fuleco Na abertura da Copa, até o Fuleco ficou de fora!
Fabrica chinesa,produzindo mais de 1 milhão de fulecos para a Copa no Brasil. (CHINA OUT AFP PHOTO).

Sempre tive dificuldades em entender esta paixão nacional que é o futebol. Mas, se é o esporte do coração da maioria dos brasileiros, se é Copa do Mundo em casa, se até o Papa Francisco uma mensagem enviou e, sobretudo, já que foram tantos recursos em um evento de proporções planetárias, minha esperança era assistir a um belo Show de Abertura, na tarde de 12 de junho de 2014, no Itaquerão. Não deu. Nem o Fuleco apareceu por lá.

Contrataram uma gringa que, fazendo jus ao esteriótipo que lhe impomos, igualmente esteriotipou o Brasil. Sabemos que aqui, em terra brasilis, a capacidade artística e a riqueza cultural são um espetáculo a parte, que gira o mundo em forma de Carnaval, de apresentações da cias de dança, de novelas e mesmo, na genialidade do futebol. A abertura made in Bélgica nos recordou todavia que a Copa deste ano é apenas no Brasil, mas nunca foi do Brasil.

Agora, além do papel de torcedor fanático que ainda exercemos bem, sabe o que realmente é nosso nesta Copa? A resposta é óbvia: a conta. O governo até tentou, divulgando uma cartilha e discursando em Rede Nacional, afirmar que gastamos apenas 25,3 bilhões em estádio e infraestruturas. -É pouco – diz o governo, se comparado aos 853 bilhões gastos, por exemplo, como saúde e educação, de 2010 para cá. Todavia, a começar pelo gol contra, não o do jogador da seleção Marcelo (p.s. Sou só eu que nem conheço os jogadores brasileiros de nossa seleção?), mas aquele do show de abertura, sumariamente criticado dentro e fora do Brasil, é de se perguntar como a administração destas duas quantias foram feita por nossos governantes.

Se a infra da Copa está inacabada, se tudo o que é feito com dinheiro público ou para o bem público custa muitas vezes mais (se bem que a roupa de Cláudia Leite, espera-se paga por ela, custou o valor de um bom apê de classe média…), é preciso se perguntar: por que cargas d’água as coisas não foram aprontadas? Minha opinião é que assim como no fiasco da abertura, a parte que coube aos brasileiros – gastar – careceu de boa administração.

Seria bacana se o Governo brasileiro, assim como fez uma Cartilha marqueteira para se safar das acusações prestar contas sobre os gastos da Copa, fizesse o mesmo e nos explicassem como foi utilizado os nossos outros 853 bilhões, para que os gritos das diversas manifestações sejam ou não legitimados. Esta é uma dúvida pertinente pois afinal, evocando a sabedoria das páginas bíblicas (só Jesus na causa?), quem é mal administrador no pouco…

Quanto a nós torcedores, caberia aprender com o padrão FIFA de qualidade: as coisas no Brasil podem não acontecer a contento, mas um nível de exigência maior de nossa parte, sugere que elas ao menos aconteçam, visto que, mesmo sem a conclusão de obras, #VaiTerCopaSim…

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Obs: A quem interessar possa, e segundo a Revista Placar, segue a explicação dos gastos para a Copa. Para quem dúvida de má-administração é só ler e tirar suas próprias conclusões:

O governo brasileiro deu números do investimento feito na Copa do Mundo de 2014, que começa dentro de 30 dias. Segundo o balanço oficial, foram 25,6 bilhões de reais gastos em obras para o torneio, entre obras de estádios e infra-estrutura. Deste valor, 83,6% saíram dos cofres públicos, sendo que apenas 4,2 bilhões de reais são da iniciativa privada.

A maior parte dos gastos foi feita para o transporte e aeroportos. Somadas, as obras de vias e transporte público e dos aeroportos dá 60,1% dos investimentos. São 33,6% (ou 8,6 bilhões de reais) com transporte terrestre e 26,5% (6,8 bilhões de reais) com o transporte aéreo. Os portos ainda somaram 2,6% do total dos investimentos, enquanto a infraestrutura das telecomunicações receberam 1,4% dos investimentos. Estes foram os gastos que ficarão como legado após o torneio.

O segundo maior gasto foi com os estádios. 27,7% dos 25,6 milhões de reais foram investidos nas reformas e construção dos 12 estádios do Mundial, totalizando 7,09 bilhões de reais. Outros 7,3% foram utilizados para segurança pública, enquanto o turismo recebeu 0,8%.

Ainda segundo os dados oficiais do governo brasileiro, as obras da Copa do Mundo geraram um total de 3,6 milhões de empregos diretos.

Fonte: PLACAR

Os porquês de não comemorar a baixa taxa de desemprego, ou, aprenda a ler nas entrelinhas.

brasil tolos Os porquês de não comemorar a baixa taxa de desemprego, ou, aprenda a ler nas entrelinhas.

Está no destaque do G1 nesta quinta-feira santa: a Taxa de desemprego é a menor para os meses de março desde o início da contagem em 2002. Apenas 5% dos brasileiros estavam desempregados no mês de março de 2014 no Brasil! É para comemorar, certo?

Não tão certo assim.  Você sabia que para o cálculo da taxa de desemprego, a pesquisa considera por exemplo que um cidadão que trabalhou faxinando sua calçada em troca de um prato de comida é considerado empregado? E que quem está procurando emprego entra também no pacote? Ou seja,  desempregado para a pesquisa é só o cara que pode e que não quer trabalhar.

5% é portanto uma porcentagem constituída de muitos “vagabundos confessos”. E… que taxa alta! Mas, tudo bem… o que não dá mesmo  para comemorar é uma taxa baixa de desemprego que, noticiada como é, criar a falsa impressão de que as coisas no Brasil andam benfeitas…

Claro, a taxa possui seu valor, pois se os critérios são os mesmos todos os meses, os resultados podem sem comparados entre si, o que permite traçar um gráfico da evolução temporal referente ao item da pesquisa, que me recuso a chamar de desemprego, como os apresentados na página do G1.  Além disso, esta taxa é utilizada para cálculos importantes nas tomadas de decisões envolvendo a  política econômica do país. Mas está longe de ser motivo de alegria para a maior parte da população. Basta lembrar de um um outro dado: cerca de 70% dos atendidos pelo program bolsa família tem algum tipo de “emprego” mas, não recebem nem ao menos R$140,00 por mês. Por isso, estes ditos “empregados” precisam continuar recebendo o auxílio.  (Antes de me atirarem uma pedra vejam bem que eu não estou aqui a criticar o bolsa família, mas o fato de chamar empregado um cara que não ganha nem meio salário mínimo por mês). Enfim, 70% de “empregados”estão entre a linha da pobreza e a da extrema pobreza, segundo os critérios do próprio governo. É para comemorar Brasil?

Para entender um pouco mais sobre a influência de pesquisas de mercado e opinião, reveja este texto aqui.

Um texto mais punk sobre o problema envolvendo a manipulação da taxa de desemprego é este outro aqui.

(Se gostou da informação, te sugiro, compartilhe! Vamos nos educar politicamente! Grande abraço!)