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Arrumar a “casa interior” ou sobre como a vida não me deve nada.

mente aberta Arrumar a casa interior ou sobre como a vida não me deve nada.

Por Cláudio Bernardes: Conversa de hoje com uma grande amiga. Necessidade de espantar dentro da gente os maus pensamentos, o medo das frustrações e as energias ruins. Recomendei a ela que parasse. Que tirasse um tempo ( o mais longo que conseguisse) de seu dia para meditar, se conectasse com a própria essência, com a Força que trazemos no coração. Conheço-a muito bem: disse que valeria tudo (suas músicas prediletas, suas velas, seus mantras e seus objetos de ligação com o sagrado.). E que depois ela olhasse para as tais coisas que tanto a tem incomodado e as renunciasse uma a uma. Ela de volta me disse que tem buscado restabelecer novos padrões junto aos amigos e familiares. Foi daí que a ideia (conjunta) de arrumação da “casa interior” começou a tomar forma.

Frequentemente é necessário organizar nossas relações intrapessoais ou ao menos ressignifica-las. Melhor ainda se nos auto-analisarmos em relação a nossos padrões de resposta e às nossas expectativas. Estas, aliás, nos fazem muito mal. Afinal, desejos são bem vindos, mas expectativas são uma grande armadilha. Por causa delas pensamos que aquilo que desejamos tende a acontecer. Imaginamos que os outros responderão de acordo com nossos desejos e que a vida tem grande chances de se resolver de acordo com o que desejamos. Desejar, sim, almejar também, mas expectativas são o começo de toda frustração.

Bem disse um amigo certa vez, “da vida não espero nada, ela não tem obrigações para comigo. Tudo que tenho é graça!” Volto a este mesmo amigo daqui a pouco. Afinal a casa ainda está em desordem. Um “up” na maneira como lidamos com a maior parte da pessoas corresponde a por em ordem na varanda, na sala, no máximo na cozinha. Trabalhão é organizar nossos cômodos mais reservados e isto inclui, nosso banheiro, sotão e porão. Em se tratando de “casa interior” a faxina é puxada, demora uma vida, poque nunca termina. Como na nossa casa física, tudo está sempre por ser refeito, afinal , ninguém em sã consciência limpa a casa só uma vez.

Agora volto àquele amigo. Um dia ele se queixou de um inquilino de sua casa de quem ele não gostava nem um pouco. Chamava-o por seu nome mais comum: insegurança. Disse a ele para dar um chute no traseiro daquele intruso. Ele, com sabedoria, disse que não. Preferia olhar para si, reconhecer ali aquele inquilino de nome insegurança e lhe pedir com gentileza que não atrapalhasse os planos daqueles dias, mas se contentasse em ficar sentado ali em seu canto enquanto o amigo colocava em prática um projeto de ordem pessoal. Achei mais simples a solução dele. A coisas em nós que não precisam necessariamente ser expulsas, podemos simplesmente propor a elas um acordo de cavalheiros: “fiquem à vista, mas não atrapalhem, ok?”