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Eleições 2014: Como foi que nos tornamos tão chatos?

 Eleições 2014: Como foi que nos tornamos tão chatos?

Acompanho o feed de notícias do Facebook e é como se de repente, fosse dia de decisão de Campeonato de Futebol.  Algo como Corinthians e São Paulo, ou Atlético e Cruzeiro, Flamengo e Fluzão. Xingamentos, histeria, fanatismo. Só que não.

A moça que religiosamente chama os torcedores do Galão mineiro de marias nem está lá para comentar mais nada. Só a torcida da Dilma e a torcida contra o PT.  Historicamente, é bom que se diga, foi a turminha da Dilma que começou. O Partido dos trabalhadores é um partido de militância. O PSDB não. Mas calma que isso não é ofensa, é só um pouco de informação, uma coisa mínima, que é no mínimo o que  mais falta na geralzona da torcida eleitoral na qual o Face se transformou.

E eu?  Eu lá. Postando, compartilhando, debatendo, politizando… e entretanto preciso confessar que sinto falta, digo de certa forma, do primeiro turno destas eleições: com aquela graça de poder pensar diferente, com a leveza da múltipla escolha, dos memes, dos nanicos que mitavam na tv e das pequenas tréguas….

Acho que minha beleza realmente cansou com a chegada do segundo turno em que meu face ficou tudo tipo mano a mano,  como um duelo de titãs marcado para acontecer dentro de pouco tempo. Não encontrei mais espaço para debater ideias, nem ideologias, mas encontrei muita manobra, manobrantes e manobráveis. Gado e massa. Iludidos e ilusionistas. Encontrei bobos e encontrei chatos.

O debate de ideias acabou, o enriquecimento político se foi, a competição esquentou os ânimos. Alguns, sumiram do mapa. Outros , passaram a ofender nordestinos, ou paulistas,  pobres ou ricos, bolsas ou iogurtes, em nome de um país melhor, mais desenvolvido. E eu, que tenho um time, uma visão política, uma porção de contradições, neste tempo me deparei com mais uma pergunta: como ou, por que cargas d’água  o ser humano consegue ser tão pouco nobre?

Em tempo: é honestidade intelectual não forjar dados, por mais irrelevantes que sejam, não tapar o sol com a peneira, não ajudar a espalhar e a fazer propaganda do que é enganoso, mentiroso e fajuto. O marqueteiro é pago para dourar a pílula, vender o peixe, empurrar a mercadoria, desovar o estoque. Mas nós não! Igualmente não ganharemos nada espalhando medo na população menos esclarecida. Sinto demais em ver gente que se diz politizada, baixando o nível deste momento da história política do Brasil em nome de uma ideologia.

Usaremos o “idiota útil” na linha de frente. Incitaremos o ódio de classes. Destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade… “ Lênin.

A vida é dos outros, e minha a necessidade de intervir.

3189373232 f23c6ed014 z A vida é dos outros, e minha a necessidade de intervir.

Um erro é sempre um erro. Quando o comportamento de alguém que sequer conhecemos é  algo injusto ou ilegal, não fazer nada a respeito pode atrair a nós o adjetivo de omisso, quando não a acusação de cúmplices em um “mal-feito”. Nestes casos é correto intervir, mesmo que anonimamente, em vista do bem comum, da ordem, da tranquilidade e ou da paz. Quando porém nossa atenção recai sobre os comportamentos inadequados de pessoas com quem convivemos no dia-a-dia, a coisa certa a fazer nem sempre é clara.

Se o tal comportamento nos incomoda, chegando a ser repulsivo a nós, então o mais lógico seria expressarmos nossos sentimentos, certo? Não é tão fácil assim. A mente nestes casos inicia um verdadeiro processo de negociação, levando em conta perdas e ganhos: estamos dispostos a correr riscos de perder aquela amizade, ou aquela falsa sensação de paz (leia-se ausência de maiores problemas, pois o comportamento em questão já se apresenta como um problema) no espaço de convívio comum? Estamos abertos a, uma vez corrigindo o outro, receber como “gratidão” um feed-back negativo sobre nosso jeito de ser e de agir? Neste sentido, sabemos que nosso telhado também é de vidro e que temos limitações, então, será que o que me incomoda no outro não é um fruto “freudiano” dos nossos mecanismo de defesa?

Um bom exercício antes de tomar uma atitude em relação ao assunto em questão é prestar atenção ao que nos motiva em querer advertir os outros. Se a raiz de uma observação dirigida ao outro não for genuinamente um gesto de amor de nossa parte, ou seja, se no meio de nossas boas intenções (em falar, dizer, corrigir), existir também certa dose de egoísmo ou censura, a coisa provavelmente não terá o efeito que esperávamos e poderá acabar mal. Também é necessário nos policiar em relação aos nossos julgamentos. Nosso modo de ver o mundo,e isto inclui nossas crenças, não são mais que a nossa visão das coisas. Neste caso, a liberdade, inclusive a religiosa, é um valor a ser respeitado. É claro que podemos sim convidar a todos a compartilhar nossa visão de mundo. Não há riscos de ferir a liberdade de outrem quando se trata de um convite e não de uma imposição.

Recordo-me de ouvir a jovem da foto acima, Immaculée Ilibagiza, sobrevivente do maior genocídio que se tem notícia na história da África, dizer: “entre ser verdadeiro é ser amoroso, seja amoroso”. Ser amoroso (e não bajulador) não é a atitude de quem se omite, mas de quem sabe encontrar a hora e o modo certo de se expressar. É se perguntar se o outro está suficientemente preparado para ouvir naquele momento o que temos a lhe dizer. É criar aquela atmosfera de acolhimento e empatia, onde dizer um “sinto que isto não é legal” não pesa nem para quem fala e nem para quem escuta. Aproprio-me de uma frase normalmente atribuída ao pensador e santo católico Agostinho de Hipona: Ame [concretamente] e depois faça [fale] o que queres.

Nota: Este texto é fruto do feed-back de alguns amigos em relação ao texto anterior. Não leu? aproveita o embalo: http://sabedoriadeamar.wordpress.com/2013/10/24/ser-livre-ou-responsavel/