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Na abertura da Copa, até o Fuleco ficou de fora!

fuleco Na abertura da Copa, até o Fuleco ficou de fora!
Fabrica chinesa,produzindo mais de 1 milhão de fulecos para a Copa no Brasil. (CHINA OUT AFP PHOTO).

Sempre tive dificuldades em entender esta paixão nacional que é o futebol. Mas, se é o esporte do coração da maioria dos brasileiros, se é Copa do Mundo em casa, se até o Papa Francisco uma mensagem enviou e, sobretudo, já que foram tantos recursos em um evento de proporções planetárias, minha esperança era assistir a um belo Show de Abertura, na tarde de 12 de junho de 2014, no Itaquerão. Não deu. Nem o Fuleco apareceu por lá.

Contrataram uma gringa que, fazendo jus ao esteriótipo que lhe impomos, igualmente esteriotipou o Brasil. Sabemos que aqui, em terra brasilis, a capacidade artística e a riqueza cultural são um espetáculo a parte, que gira o mundo em forma de Carnaval, de apresentações da cias de dança, de novelas e mesmo, na genialidade do futebol. A abertura made in Bélgica nos recordou todavia que a Copa deste ano é apenas no Brasil, mas nunca foi do Brasil.

Agora, além do papel de torcedor fanático que ainda exercemos bem, sabe o que realmente é nosso nesta Copa? A resposta é óbvia: a conta. O governo até tentou, divulgando uma cartilha e discursando em Rede Nacional, afirmar que gastamos apenas 25,3 bilhões em estádio e infraestruturas. -É pouco – diz o governo, se comparado aos 853 bilhões gastos, por exemplo, como saúde e educação, de 2010 para cá. Todavia, a começar pelo gol contra, não o do jogador da seleção Marcelo (p.s. Sou só eu que nem conheço os jogadores brasileiros de nossa seleção?), mas aquele do show de abertura, sumariamente criticado dentro e fora do Brasil, é de se perguntar como a administração destas duas quantias foram feita por nossos governantes.

Se a infra da Copa está inacabada, se tudo o que é feito com dinheiro público ou para o bem público custa muitas vezes mais (se bem que a roupa de Cláudia Leite, espera-se paga por ela, custou o valor de um bom apê de classe média…), é preciso se perguntar: por que cargas d’água as coisas não foram aprontadas? Minha opinião é que assim como no fiasco da abertura, a parte que coube aos brasileiros – gastar – careceu de boa administração.

Seria bacana se o Governo brasileiro, assim como fez uma Cartilha marqueteira para se safar das acusações prestar contas sobre os gastos da Copa, fizesse o mesmo e nos explicassem como foi utilizado os nossos outros 853 bilhões, para que os gritos das diversas manifestações sejam ou não legitimados. Esta é uma dúvida pertinente pois afinal, evocando a sabedoria das páginas bíblicas (só Jesus na causa?), quem é mal administrador no pouco…

Quanto a nós torcedores, caberia aprender com o padrão FIFA de qualidade: as coisas no Brasil podem não acontecer a contento, mas um nível de exigência maior de nossa parte, sugere que elas ao menos aconteçam, visto que, mesmo sem a conclusão de obras, #VaiTerCopaSim…

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Obs: A quem interessar possa, e segundo a Revista Placar, segue a explicação dos gastos para a Copa. Para quem dúvida de má-administração é só ler e tirar suas próprias conclusões:

O governo brasileiro deu números do investimento feito na Copa do Mundo de 2014, que começa dentro de 30 dias. Segundo o balanço oficial, foram 25,6 bilhões de reais gastos em obras para o torneio, entre obras de estádios e infra-estrutura. Deste valor, 83,6% saíram dos cofres públicos, sendo que apenas 4,2 bilhões de reais são da iniciativa privada.

A maior parte dos gastos foi feita para o transporte e aeroportos. Somadas, as obras de vias e transporte público e dos aeroportos dá 60,1% dos investimentos. São 33,6% (ou 8,6 bilhões de reais) com transporte terrestre e 26,5% (6,8 bilhões de reais) com o transporte aéreo. Os portos ainda somaram 2,6% do total dos investimentos, enquanto a infraestrutura das telecomunicações receberam 1,4% dos investimentos. Estes foram os gastos que ficarão como legado após o torneio.

O segundo maior gasto foi com os estádios. 27,7% dos 25,6 milhões de reais foram investidos nas reformas e construção dos 12 estádios do Mundial, totalizando 7,09 bilhões de reais. Outros 7,3% foram utilizados para segurança pública, enquanto o turismo recebeu 0,8%.

Ainda segundo os dados oficiais do governo brasileiro, as obras da Copa do Mundo geraram um total de 3,6 milhões de empregos diretos.

Fonte: PLACAR