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O TOP10 das contradições humanas. Ou, coisas que me deixam realmente confuso.

CONFUSA O TOP10 das contradições humanas. Ou, coisas que me deixam realmente confuso.

Começo com um comentário que publiquei na minha página pessoal  do Facebook e que teve, por assim dizer, bastante participação. Trata-se da frase: “A pessoa é a favor do aborto e militante na proteção dos animais. Como proceder?”. A partir daí, listei 10 coisas que escuto/vejo por ai e que me deixam realmente confuso. A lista é claro é bem maior que isso, afinal nada mais me surpreende,  mas em tempos de campanha eleitoral, selecionei 10 posições políticas, ou nem tanto, para nossa alegria:

1) A feminista que é contra a mercantilização/objetificação da mulher, mas defende a prostituição como uma profissão entre outras.

2) A Pessoa que defende o estado mínimo, mas protesta por não ser bem atendido no SUS , ou por não encontrar vaga na escola pública mais próxima de sua residência.

3) O riquinho esquerdista de viés marxista que não dividirá com a humanidade a sua herança.

4) A pessoa que não tem partido, nem candidato mas milita por mais consciência política, ou por mudanças a partir das próximas eleições.

5) A pessoa que luta pelos direitos humanos e abomina os evangélicos.

6) Quem afirma que as “minorias” estão isentas de cidadãos brancos, e que todo branco faz parte da maioria  rica, é da elite.

7) A mulher que se denomina feminista e vadia e é romântica.

8) O cristão que prega o amor e massacra quem não segue os dogmas do cristianismo. Ou o cidadão que é contra o aborto e a favor da pena de morte e, ainda, o católico que prega o criacionismo como alternativa à teoria da Evolução.

9) Gente que defende os direitos GLSBTetc mas não tá nem ai para a população quilombola do país.

10) Brasileiro que pega a torcedora do Grêmio que insultou o goleiro Aranha como bode expiatório, mas afirma com convicção que NUNCA ficaria/casaria com um(a) negro(a).

E assim caminha a humanidade… rs.

Rubem Alves: A quaresma e a tristeza divina.

rubem alves Rubem Alves: A quaresma e a tristeza divina.

 

“Porque a tristeza de Deus produz mudança… mas a tristeza do mundo produz morte.” II Co 7:10

 As quaresmeiras aí estão. Flores de fevereiro e março, anunciando que nem só de cores brancas e verdes vive a alma humana, mas também de lilases e roxas. Nem só de alegrias, mas também de tristezas. A propósito, não é tarefa das mais fáceis empreender um “dedo de prosa”, mínimo que seja, sobre o tema da tristeza. Houve tempos em que a tristeza era prima irmã da poesia, da música, da vida. Pode-se dizer, com o testemunho de um bom número de músicas que ainda hoje cantamos, que a tristeza sempre foi a matéria prima do fazer poético. Quem nunca cantou: “Tristeza, por favor vai embora, minha alma que chora, está vendo o seu fim….”. Ou ainda: “Cantando eu mando a tristeza embora…” Mais: “Triste madrugada foi aquela em que perdi meu violão…”

 Essas músicas testemunham um tempo em que a experiência da alegria e da beleza só eram possíveis a partir do reconhecimento de uma certa tristeza nas pautas musicais da existência. Os tempos hoje são outros. Num projeto de vida em que as pessoas são tidas como máquinas, qualquer sombra de melancolia, de tristeza, de dor, deve ser abolida. Por uma simples razão: máquina não sente dor! Aos saudosos e melancólicos do presente, resta-lhes apenas o afogar-se nos remédios. É assim que lidamos com nossas tristezas: afogando-nos nos compridos.

 O trecho da tradição bíblica que está em epígrafe acima faz referência à tristeza segundo Deus. Dorothee Sölle assim o interpretou: A presença divina nunca é presença observadora: a presença divina é sempre dor ou alegria de Deus. Mas, o que distingue a tristeza divina das tristezas do mundo? pergunta o apóstolo dos gentios. Tristeza do mundo é tristeza que gira em torno de si mesma, patina sem sair do lugar. É tristeza que paralisa no remorso, na lástima, no mórbido ruminar as faltas passadas, na lamúria sem fim. Nada se transforma, nada se metamorfoseia, nada muda. É tristeza que não conhece a esperança, o futuro, por estar afogada no passado. É Tristeza que mata, que corrói, que faz adoecer. Como exemplo, atente-se às tristezas próprias do mundo da aparência: a anorexia, a bulimia, sofrimento de um corpo que morre para parecer belo. Ou a tristeza do consumo: esse mal-estar diabólico que leva do nada a lugar nenhum. A tristeza da guerra, da destruição que faz morrer a palavra e perpetua o ódio.

 A tristeza segundo Deus, porém, produz mudança, movimento, superação, transformação, produz vida. É tristeza que não patina nas culpas, mas avança na responsabilidade. Tristeza de parturiente, que traz a esperança e o futuro no ventre. É tristeza que gera a sagrada ira, a santa indignação, o grito, a libertação. Sem a participação na tristeza divina, o domingo da ressurreição não passa de oba-oba. Que as quaresmeiras e os ipês roxos, também próprios do tempo quaresmal, nos convidem a participar da tristeza segundo Deus, aquela que verdadeiramente nos conduz à mudança, ao arrependimento, à transformação.