Arquivo da tag: honestidade

Quem poderá nos socorrer? O dia em que estaremos completamente indefesos.

caos Quem poderá nos socorrer? O dia em que estaremos completamente indefesos.

Haverá um dia em que todos estarão completamente indefesos e olharão à própria volta incrédulos. Nesse dia de nada adiantará gritar por socorro já que não haverá nem mais homem ou mulher, jovem ou idoso, criança ou adulto que se sinta a vontade em assumir o papel de um simples herói. O menino olhará para sua mãe na tentativa de conseguir consolo e todavia, quando este dia chegar não haverá, repito, não haverá a menor esperança. Nem o guarda da esquina, nem o padre ou o pastor, nem mesmo o homem engajado na luta pelos direitos humanos serão mais a garantia, o porto seguro de alguém.

Direitos? Quem viver este dia não terá nunca certeza alguma de ter um direito sequer e, caso aconteça justiça para uma mínima situação, haverá um preço a se pagar por ela porque, neste dia, receber justiça será como comprar um bem desconhecendo o prazo de validade do que foi adquirido.

Enquanto ainda não é futuro, este mesmo onde não haverá mais pessoa, lugar, instituição ou refúgio, nada mais em que se possa confiar, permanecemos inocentes no presente que antecede e prepara os terríveis dias vindouros. No hoje, assistimos à passividade, à impunidade e a corrupção guiando nossos passos. E nos perguntamos: vale realmente a pena ser limpo, vale mesmo o esforço em ser honesto?

Há uma certa lisura intelectual que cede paulatinamente o espaço para os jogos midiáticos, jogos de poder.  Já não cremos que a justiça seja feita responsabilizando os grandes, ou ao menos nem temos mais tanta certeza disso. Vemos atônitos que o agir dos grandes vai nos deixando um legado, por bons professores que são. No hoje, comemoramos a honestidade de um ou outro cidadão, enquanto vamos nos alienando frente a perversidade de tantos outros. Nem sabemos mais se todas as leis devem ser seguidas ou se a placa de 40Km/h está naquele trecho da estrada por alguma boa razão. Nos questionamos se não é mesmo legal comprar sem Nota ou se não está mesmo tudo bem importar coisas do país que escraviza os seus.

No hoje, confiaremos sem lutar em um sistema que está deveras debilitado. E aí, quando a seiva da virtude que ainda nos resta acabar?  O policial poderá se negar a bancar o mocinho sem a menor cerimônia, mesmo sendo pago para isto. O médico lhe induzirá a gastar mais do que você precisa e lhe recomendará passar por procedimentos que sabidamente não lhe trarão senão problemas maiores. O aluno levantará a mão para o tutor e será apoiado por seus pais. Nem mesmo a mãe, será capaz de dizer ao filho palavras que o convençam de que há certas companhias para se evitar e que há ainda muitas outras coisas que sequer deveriam ser provadas por ele. Na falta de grandes exemplos e na extinção de santos e heróis será tudo em vão. Acredite: você ligará para reclamar sobre uma compra mal sucedida e, do outro lado da linha, alguém te dirá “não podemos fazer nada. Obrigado pela ligação.”

Parece que não está longe o dia em que os Tribunais condenarão mas a pena não será mais aplicada. Nem saberemos mais quem é o mocinho ou bandido e, portanto, a quem iremos recorrer? No dia em que a Ética se extinguir de nosso meio, não restará pedra sobre pedra. A culpa terá sido dos grandes, você me diz. Sim, mas os grandes, somos nós.

caos Quem poderá nos socorrer? O dia em que estaremos completamente indefesos.