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Quando fazer um B.O. é um só mais um problemão que o bandido te causou.

Assaltada em BH Quando fazer um B.O. é um só mais um problemão que o bandido te causou.- “VOCÊ É TURISTA?” Com esta pergunta dava-se início ao Boletim de Ocorrência (B.O.) em decorrência de um arrombamento de carro na região da Savassi (BH), um dos pontos de comemoração da Copa do Mundo 2014.  Mas, para chegar a ouvir esta pergunta e conseguir seu  B.O.,  além da tristeza de ter seu carro destruído e seus pertences levados, uma jovem estudante mineira teve que passar por um segundo dissabor, de causar  indignação a qualquer cidadão de bem.

“Você é turista?” – obviamente respondi que não, mas fico pensando se faria diferença eu ter respondido que sim (1) – esta é uma parte do relato de uma estudante que teve o carro arrombado e as duas portas da frente completamente estragadas e seus pertences levados do interior do veículo, entre os quais um Ipad, um laptop, documentos, diplomas, e outros itens de valor ou de grande importância.  E isso, na região da Savassi e em plena Copa do Mundo 2014, com milhares de turistas a mercê da criminalidade que assola a capital, Belo Horizonte circulando pela capital mineira.

Aos que se perguntam os motivos para deixar no carro todos estes pertences, a estudante explica: – deixei, porque iria a pé até bem próximo da Praça da Liberdade e fiquei com medo de ser assaltada … Pois quanta ironia não??? – Pois bem, depois de voltar ao carro e sofrer com o ocorrido, a estudante narra sua saga por um Boletim de Ocorrência. Primeiro, caminhando até um posto móvel da polícia na Praça da Liberdade para descobrir que lá os policiais - não possuem equipamentos para fazerem um simples B.O. –  foi preciso usar o próprio celular e ligar para o 190 e … esperar. A viatura chegou, depois de 40 minutos, mas tão pouco fariam o Boletim  – Eles foram até mim com a viatura apenas para me guiarem até a delegacia da Polícia Militar  – a poucas quadras dali.

Depois de mais uns 40 minutos de espera, eis que surge a pergunta  feita por um policial: “você é turista?” – Obviamente – a estudante nos conta – respondi que não, mas fico pensando se faria diferença eu ter respondido que sim…

A cena se desenrola – O policial fez a ocorrência que consta, de verdade, eu juro: “[fulana] informa que seu Ipad tem programa de rastreamento onde será possível localizar o objeto furtado quando conectado à internet. AGUARDAMOS” …. agora a responsabilidade de localizar o meu Ipad furtado é do meu próprio Ipad? 

Só isso? Não. Faltava papel na impressora, portanto era preciso procurar outra delegacia para receber o Boletim impresso.  Ocorreu que – na madrugada, em meio a um sono conturbado lembrei que na pasta de meu notebook estavam também documentos originais muito importantes para mim: (…) e então tive mais um segundo transtorno (…)  No posto policial perto de minha casa não podiam me ajudar porque a complementação do B.O. com esses meus documentos também furtados só poderia ser feita pelo policial que me atendeu na delegacia da Savassi. Eu teria que esperar um novo plantão do policial que me atendeu,  (e que eu nem sabia o nome, porque eu realmente estava transtornada na noite anterior) para completar o B.O. Retornei à delegacia da Savassi e é claro, o policial que eu precisava não estava lá…Me informaram que ou eu esperava o dia de plantão dele ou deveria ir à Polícia Civil…. Eu já não argumentava ou pedia explicações…só queria ter um B.O. em minhas mãos…Fui na delegacia da Polícia Civil e lá o policial me disse que provavelmente isso aconteceu por preguiça alheia do colega…Enfim, agradeci, peguei meu B.O., engoli minha raiva, minha tristeza e meu choro e voltei para casa – enfim me pergunto: ineficácia somada à altas demandas de serviço, pouca motivação e um ambiente sufocante de trabalho, o que mais explica esta saga para se conseguir provar que alguém foi vitimado com um crime?

(1) As frases em itálico são uma reprodução de um texto de indignação, escritas pela estudante.

Arrumar a “casa interior” ou sobre como a vida não me deve nada.

mente aberta Arrumar a casa interior ou sobre como a vida não me deve nada.

Por Cláudio Bernardes: Conversa de hoje com uma grande amiga. Necessidade de espantar dentro da gente os maus pensamentos, o medo das frustrações e as energias ruins. Recomendei a ela que parasse. Que tirasse um tempo ( o mais longo que conseguisse) de seu dia para meditar, se conectasse com a própria essência, com a Força que trazemos no coração. Conheço-a muito bem: disse que valeria tudo (suas músicas prediletas, suas velas, seus mantras e seus objetos de ligação com o sagrado.). E que depois ela olhasse para as tais coisas que tanto a tem incomodado e as renunciasse uma a uma. Ela de volta me disse que tem buscado restabelecer novos padrões junto aos amigos e familiares. Foi daí que a ideia (conjunta) de arrumação da “casa interior” começou a tomar forma.

Frequentemente é necessário organizar nossas relações intrapessoais ou ao menos ressignifica-las. Melhor ainda se nos auto-analisarmos em relação a nossos padrões de resposta e às nossas expectativas. Estas, aliás, nos fazem muito mal. Afinal, desejos são bem vindos, mas expectativas são uma grande armadilha. Por causa delas pensamos que aquilo que desejamos tende a acontecer. Imaginamos que os outros responderão de acordo com nossos desejos e que a vida tem grande chances de se resolver de acordo com o que desejamos. Desejar, sim, almejar também, mas expectativas são o começo de toda frustração.

Bem disse um amigo certa vez, “da vida não espero nada, ela não tem obrigações para comigo. Tudo que tenho é graça!” Volto a este mesmo amigo daqui a pouco. Afinal a casa ainda está em desordem. Um “up” na maneira como lidamos com a maior parte da pessoas corresponde a por em ordem na varanda, na sala, no máximo na cozinha. Trabalhão é organizar nossos cômodos mais reservados e isto inclui, nosso banheiro, sotão e porão. Em se tratando de “casa interior” a faxina é puxada, demora uma vida, poque nunca termina. Como na nossa casa física, tudo está sempre por ser refeito, afinal , ninguém em sã consciência limpa a casa só uma vez.

Agora volto àquele amigo. Um dia ele se queixou de um inquilino de sua casa de quem ele não gostava nem um pouco. Chamava-o por seu nome mais comum: insegurança. Disse a ele para dar um chute no traseiro daquele intruso. Ele, com sabedoria, disse que não. Preferia olhar para si, reconhecer ali aquele inquilino de nome insegurança e lhe pedir com gentileza que não atrapalhasse os planos daqueles dias, mas se contentasse em ficar sentado ali em seu canto enquanto o amigo colocava em prática um projeto de ordem pessoal. Achei mais simples a solução dele. A coisas em nós que não precisam necessariamente ser expulsas, podemos simplesmente propor a elas um acordo de cavalheiros: “fiquem à vista, mas não atrapalhem, ok?”