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7 tópicos sobre amigos estraga-prazeres ou “não há perdão para os chatos”.

chato 7 tópicos sobre amigos estraga prazeres ou não há perdão para os chatos.

Dia desses conversava com um amigo sobre uma questão intrigante: uma pessoa chata tem culpa em ser o que é? Como a resposta me pareceu simples, mas também pareceu não convencer meu ouvinte, eis que dias depois o assunto ainda me inculcava a mente e logo virou não um, mas 7 tópicos que, espero, não são chatos de ler:

#1) De acordo com a Desciclopédia “Chato é aquele ser que nasceu pra aborrecer quem está passando por qualquer situação crítica e necessita de descanso e paz, como os depressivos.” (Ao que acrescento: e como os estressados e também como os felizes da última hora!)

#2) Dizer Fica chato dizer isso mas… ou Não! Deixa eu te explicar como é… são indícios de que o falante em questão é um…

#3). Tutty Vasques disse certa vez no Estadão que com a chegada no mercado brasileiro de uma infinita variedade de cervejas artesanais já existe por aí uma verdadeira confraria de chatos muito parecida com a dos famosos degustadores de vinhos.

#4) Se eu concordar com Tutty passo a crer que existem “chatos setorizados”, como aquela atendente que é mega chata ao telefone mas que na vida pessoal é a sua mais doce vizinha.. Humnn… Desconfio!

 #5) Cazuza dizia que “não há perdão para os chatos”.  Cantou o poeta:

“Respeito o cara que é padre/ Porque não sente tesão

Respeito quem rouba com fome/ Quem consegue dizer não/

(…) Só não há perdão para os chatos”

#6) Já Oswaldo Montenegro (seria ele mesmo um chato?) nos brindou com esta verdadeira pérola:

        “Ah, todo chato é bonzinho/ nunca nos faz nenhum mal

         ah, todo chato é calminho/ como se faltasse sal

         Ah, todo chato te conta/ aonde passou o Natal

        E sempre te da um dica/ de onde ir no carnaval”

#7) Esta lista não tem 10 tópicos porque seria chato estender o assunto.

Nota importante: Chatos não tem noção que sejam chatos.  No máximo suspeitam, mas logo passam a esquecer. Na dúvida, acredite-se chato e diminua o ritmo.

Ah, uma outra coisa igualmente interessante é a lista de tipos de pessoas chatas no Facebook. Não deixe de ler: http://www.2nerds.com.br/humor/como-ser-chato-no-facebook/

Lista escrita, resta-no o dito exame de consciência, cada um com seu cada qual, que não quero aborrecer ninguém. Hoje.

Arrumar a “casa interior” ou sobre como a vida não me deve nada.

mente aberta Arrumar a casa interior ou sobre como a vida não me deve nada.

Por Cláudio Bernardes: Conversa de hoje com uma grande amiga. Necessidade de espantar dentro da gente os maus pensamentos, o medo das frustrações e as energias ruins. Recomendei a ela que parasse. Que tirasse um tempo ( o mais longo que conseguisse) de seu dia para meditar, se conectasse com a própria essência, com a Força que trazemos no coração. Conheço-a muito bem: disse que valeria tudo (suas músicas prediletas, suas velas, seus mantras e seus objetos de ligação com o sagrado.). E que depois ela olhasse para as tais coisas que tanto a tem incomodado e as renunciasse uma a uma. Ela de volta me disse que tem buscado restabelecer novos padrões junto aos amigos e familiares. Foi daí que a ideia (conjunta) de arrumação da “casa interior” começou a tomar forma.

Frequentemente é necessário organizar nossas relações intrapessoais ou ao menos ressignifica-las. Melhor ainda se nos auto-analisarmos em relação a nossos padrões de resposta e às nossas expectativas. Estas, aliás, nos fazem muito mal. Afinal, desejos são bem vindos, mas expectativas são uma grande armadilha. Por causa delas pensamos que aquilo que desejamos tende a acontecer. Imaginamos que os outros responderão de acordo com nossos desejos e que a vida tem grande chances de se resolver de acordo com o que desejamos. Desejar, sim, almejar também, mas expectativas são o começo de toda frustração.

Bem disse um amigo certa vez, “da vida não espero nada, ela não tem obrigações para comigo. Tudo que tenho é graça!” Volto a este mesmo amigo daqui a pouco. Afinal a casa ainda está em desordem. Um “up” na maneira como lidamos com a maior parte da pessoas corresponde a por em ordem na varanda, na sala, no máximo na cozinha. Trabalhão é organizar nossos cômodos mais reservados e isto inclui, nosso banheiro, sotão e porão. Em se tratando de “casa interior” a faxina é puxada, demora uma vida, poque nunca termina. Como na nossa casa física, tudo está sempre por ser refeito, afinal , ninguém em sã consciência limpa a casa só uma vez.

Agora volto àquele amigo. Um dia ele se queixou de um inquilino de sua casa de quem ele não gostava nem um pouco. Chamava-o por seu nome mais comum: insegurança. Disse a ele para dar um chute no traseiro daquele intruso. Ele, com sabedoria, disse que não. Preferia olhar para si, reconhecer ali aquele inquilino de nome insegurança e lhe pedir com gentileza que não atrapalhasse os planos daqueles dias, mas se contentasse em ficar sentado ali em seu canto enquanto o amigo colocava em prática um projeto de ordem pessoal. Achei mais simples a solução dele. A coisas em nós que não precisam necessariamente ser expulsas, podemos simplesmente propor a elas um acordo de cavalheiros: “fiquem à vista, mas não atrapalhem, ok?”

 

Chiara Lubich fala a cristãos e muçulmanos sobre o amor de que o mundo precisa.

O diálogo e o respeito entre pessoas de diferentes crenças religiosas me fascina. Por isso, publico um vídeo (dublado em português) onde Chiara Lubich, Fundadora do Movimento dos Focolares, contribui para a construção da fraternidade universal, falando sobre o amor, a Biblia e e o Alcorão ao contar sua história e seu sonho de construir a fraternidade universal.

Quer você plante ou não uma árvore, ande ou não de bicicleta, só não deixe de cultivar amigos

 Quer você plante ou não uma árvore, ande ou não de bicicleta, só não deixe de cultivar amigos

A vida é um dom, um presente do Criador. Quem reconhece isso certamente colhe a cada dia uma nova inspiração e novas forças para prosseguir, mesmo que o caminho não seja o mais curto e que os obstáculos não sejam os menores. Ainda que a subida não seja nada fácil, quem admira a vida adquire aos poucos a maestria de seguir em frente, encontrando cada vez menos motivos para chorar e novos motivos para sorrir (ou ao menos só chora pelo que vale realmente a pena e ri até por coisa pouca, desde que seja coisa boa). Sabemos, claro, que em boas companhias tudo tende a se tornar mais leve e a vida, ai sim, adquire novos tons, rimas e sabores. Na companhia destes outros, até o que é dor passa mais rapidamente.

Nunca é fácil preencher o vazio que um amor partido acaba deixando, ou a solidão que nos cobre nos momentos em que nossos próprios sentimentos insistem em nos trair. Ainda mais difícil é a carga de conviver com nosso lado menos nobre, nossos pensamentos destrutivos e nossas motivações sabotadoras, sem que uma alma boa nos abra os olhos, enfim, nos recoloque nos trilhos. Há momentos em que só um anjo é capaz  de nos dar a força de se levantar, caminhar de novo e  ai voltar a ver a as coisas que realmente valem a pena. Amigos verdadeiros tem o poder de refazer em nós a sensação de tranquilidade e coragem, necessárias para enfrentar as durezas que insistem em ferir. Ao lado dos amigos a jornada de um homem passa a ser marcada por lágrimas que não serão derramadas, ou por enormes fardos nos ombros que cedem à força de um abraço sincero. Quem cultiva amigos viverá também desconhecendo a força da solidão.

Concordo, mas só um bocadinho, que amigos são a família que a gente escolhe. Um bom amigo pode ser também um bom pai, uma mãe guerreira, um irmão ou irmã que estão ali, dispostos a perder um pouco de si, de seus recursos e projetos de vida simplesmente para se ocuparem de nós. Por isso, cultive amigos, invista nas amizades sabendo dar e receber. Saiba que quando oramos pedindo que Deus nos dê proteção é dos amigos que temos que Ele gosta de se servir. Nos dias de hoje, quando vemos inúmeras mensagens sobre saúde, fitness, cuidados com o próprio corpo, dietas milagrosas e promessas de bem estar, digo que o melhor cuidado que devemos ter é com aqueles que nos amam e que amamos.  Por eles vale tudo o que é bom e nobre, até mesmo sentar-se à mesa juntos apenas para dar risadas e partilhar uma porção de gordices, um bom vinho ou um cafezinho ligeiro, mesmo que com isso ganhemos uns quilinhos a mais, o que nunca será tempo perdido.

Faça o bem todo dia, um gestinho só faz toda a diferença.

 Faça o bem todo dia, um gestinho só faz toda a diferença.

J. R. Tolkien, autor dos livros O Hobbit e O Senhor dos Anéis, entre outros, nos brindou com belos diálogos que se intercalam às batalhas de suas personagens. No fundo, sua obra sempre expressou a luta do bem contra o mal. Hoje, muitos autores se esforçam em criar personagens tão mocinhos quanto bandidos, e daí a expectativa nem é esperar o modo como o bonzinho ganha no final. Se espera é que os malvados, simpáticos, paguem mas só um pouquinho e os bonzinhos, “sem sal”, e que depois se mostram não tão bons assim, estes… ah! Deixa pra lá. Volto a Tolkien e aos seus diálogos. Em um deles, o mago Gandalf diz:  “Saruman acredita que só grandes forças podem conter o mal, mas não é o que eu penso,  acho que são pequenos detalhes, ações diárias das pessoas que mantem o mal afastado, simples ações de bondade e amor!” (O Hobbit)

Bobagem a minha pensar que todos gostam de O Hobbit e estão familiarizados com estas personagens, ou que os ame tanto quanto eu. Bobagem a nossa, se não levarmos a opinião de Gandalf a sério! Que muitos de nós gostariam de mudar o mundo, eu não duvido. Aquele desejo bom de que os conflitos e a violência dessem trégua, de que apesar dos baderneiros, o país do gigante acordado realmente conquistasse uma nação mais honesta, um Brasil menos desigual, uma redução não de 0,20 (centavos) mas de 100% da corrupção. Claro, chega a ser ingênuo e pueril. E, como somos conscientes  dessa nossa ingenuidade, logo não esperamos realmente que tudo se resolva em definitivo, ao menos não aqui no nosso maravilhoso planeta imperfeito. Então, nos contentamos (e olha, já é lucro se contentar com isso!) com a ideia de um, já clichêmundo melhor. A diferença aqui é que não se espera por uma intervenção mágica que subverta a desordem, transformando-a na mais pura harmonia. Não. No caso exposto, o que queremos é que as coisas mudem a cada dia um pouquinho, que cada dia seja melhor que aquele que acaba de passar.

É claro, entendemos que as pequenas mudanças, capazes de produzir o nosso desejado mundo melhor, passam também pela nossa iniciativa própria. Nem vou dizer que é no modo nosso de estacionar de cada dia, de nos cumprimentar com um sorriso rotineiro, ou de promover em nosso banheiro aquela economia de água da torneira e, por onde passarmos, aquele esbanjamento de cordialidade e atenção, que as coisas, ao menos ao nosso redor, tendem a melhorar. Mas lembre-se do que disse o Gandalf (o ao menos dê um crédito à mensagem do autor do O Hobbit )! Os gestos de bondade e amor, “mantem o mal afastado…” e portanto, continuaremos a conviver com o mal, embora nos afastemos de um perfil de convivência do tipo “tudo junto e misturado”. Estejamos certos,  haverá ainda quem estaciona na vaga do idoso, quem esbanja a água da pia e quem economiza no humor.

Dito isso, há momentos, em que o que me resta é encontrar motivação na sabedoria de Madre Tereza de Calcutá: “Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros. Vença assim mesmo…. se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja. Seja Feliz assim mesmo… veja que, no final das contas, é entre você e DEUS. Nunca foi entre você e as outras pessoas.”

A vida é dos outros, e minha a necessidade de intervir.

3189373232 f23c6ed014 z A vida é dos outros, e minha a necessidade de intervir.

Um erro é sempre um erro. Quando o comportamento de alguém que sequer conhecemos é  algo injusto ou ilegal, não fazer nada a respeito pode atrair a nós o adjetivo de omisso, quando não a acusação de cúmplices em um “mal-feito”. Nestes casos é correto intervir, mesmo que anonimamente, em vista do bem comum, da ordem, da tranquilidade e ou da paz. Quando porém nossa atenção recai sobre os comportamentos inadequados de pessoas com quem convivemos no dia-a-dia, a coisa certa a fazer nem sempre é clara.

Se o tal comportamento nos incomoda, chegando a ser repulsivo a nós, então o mais lógico seria expressarmos nossos sentimentos, certo? Não é tão fácil assim. A mente nestes casos inicia um verdadeiro processo de negociação, levando em conta perdas e ganhos: estamos dispostos a correr riscos de perder aquela amizade, ou aquela falsa sensação de paz (leia-se ausência de maiores problemas, pois o comportamento em questão já se apresenta como um problema) no espaço de convívio comum? Estamos abertos a, uma vez corrigindo o outro, receber como “gratidão” um feed-back negativo sobre nosso jeito de ser e de agir? Neste sentido, sabemos que nosso telhado também é de vidro e que temos limitações, então, será que o que me incomoda no outro não é um fruto “freudiano” dos nossos mecanismo de defesa?

Um bom exercício antes de tomar uma atitude em relação ao assunto em questão é prestar atenção ao que nos motiva em querer advertir os outros. Se a raiz de uma observação dirigida ao outro não for genuinamente um gesto de amor de nossa parte, ou seja, se no meio de nossas boas intenções (em falar, dizer, corrigir), existir também certa dose de egoísmo ou censura, a coisa provavelmente não terá o efeito que esperávamos e poderá acabar mal. Também é necessário nos policiar em relação aos nossos julgamentos. Nosso modo de ver o mundo,e isto inclui nossas crenças, não são mais que a nossa visão das coisas. Neste caso, a liberdade, inclusive a religiosa, é um valor a ser respeitado. É claro que podemos sim convidar a todos a compartilhar nossa visão de mundo. Não há riscos de ferir a liberdade de outrem quando se trata de um convite e não de uma imposição.

Recordo-me de ouvir a jovem da foto acima, Immaculée Ilibagiza, sobrevivente do maior genocídio que se tem notícia na história da África, dizer: “entre ser verdadeiro é ser amoroso, seja amoroso”. Ser amoroso (e não bajulador) não é a atitude de quem se omite, mas de quem sabe encontrar a hora e o modo certo de se expressar. É se perguntar se o outro está suficientemente preparado para ouvir naquele momento o que temos a lhe dizer. É criar aquela atmosfera de acolhimento e empatia, onde dizer um “sinto que isto não é legal” não pesa nem para quem fala e nem para quem escuta. Aproprio-me de uma frase normalmente atribuída ao pensador e santo católico Agostinho de Hipona: Ame [concretamente] e depois faça [fale] o que queres.

Nota: Este texto é fruto do feed-back de alguns amigos em relação ao texto anterior. Não leu? aproveita o embalo: http://sabedoriadeamar.wordpress.com/2013/10/24/ser-livre-ou-responsavel/