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Brasil: Não há golpe Comunista e não seremos como Cuba, e é ai que mora o perigo.

golpe do PT Brasil: Não há golpe Comunista e não seremos como Cuba, e é ai que mora o perigo.

Um dos maiores ataques que o governo federal ou que o PT e suas linhas auxiliares sofrem é a acusação de que a esquerda no Brasil se prepara para um golpe Comunista. Fosse mesmo uma verdade, eita golpezinho demorado para acontecer! Praticamente são 12 anos de PT no poder e nadinha de nos tornarmos um país baseado em moldes cubanos!

Nos últimos anos a lista de prováveis catástrofes governamentais ao qual supostamente estamos destinados aumentou: se não for Cuba, dizem por aí que nos tornaremos em breve uma nova Venezuela. Ora, nada disso é verdade, e é por isso que precisamos temer. Já volto a isso, mas antes gostaria de esclarecer alguns poucos conceitos.

No meu último post evoquei a questão do bolivarianismo mas não a aprofundei sobre o tema. Pois bem, o risco do bolivarianismo certamente faz parte da pauta deste post. O termo provém do nome do general venezuelano do século 19 Simón Bolívar, que liderou os movimentos de independência da Venezuela, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Bolívia. Convencionou-se, no entanto, chamar de bolivarianos os governos de esquerda na América Latina que questionam o neoliberalismo e o Consenso de Washington (doutrina macroeconômica ditada por economistas do FMI e do Banco Mundial).

Note que a definição do termo não é minha, mas da revista Carta Capital, uma publicação muito apreciada entres os que são favoráveis ao atual governo. Mas há ainda outro termo da moda que precisa ser esclarecido antes de prosseguirmos com a questão sobre o não golpe comunista. Cito a Wikipédia: Foro de São Paulo  é uma organização criada em 1990 a partir de um seminário internacional promovido pelo Partido dos Trabalhadores do Brasil, juntamente com o cubano Fidel Castro, que convidaram outros partidos e organizações de esquerda da América Latina e do Caribe para discutir alternativas às políticas neoliberais dominantes na América Latina durante a década de 19907 8 e promover a integração econômica, política e cultural da região.

Diante destas explicações, afirmar a afinidade entre a esquerda governista brasileira e a ideologia bolivariana não é de todo um erro. Mas para receber este título, bolivariano, falta ao Brasil uma larga pitada de autoritarismo, afinal, ainda somos uma democracia.

Por outro lado, a política externa brasileira praticada até então pelo PT e a orientação ideológica de muitos dos partidos de esquerda, deixam claro o apreço não só pela ação bolivariana, como também pelo regime político da ilha de Fidel Castro e  ainda por outras realidades de viés socialista/comunista. É claro que isto não nos autoriza, em absoluto, a falar da iminência de um “golpe comunista” no Brasil. E então, por que é aqui que reside o perigo?

Não haverá um golpe hoje simplesmente porque a parte comunista da esquerda  brasileira que aprecia esta ideia conhece o tipo de organização política que a democracia brasileira possui, sabendo portanto que existe não apenas a resistência da oposição no Congresso, como a da própria Constituição Federal. Isto não significa dizer que não existam partidos ou líderes políticos no Brasil que sonhem com a implementação de um regime inspirado em Marx, com a regulamentação da mídia, com uma Constituinte para fazer a reforma política, com investimentos muito mais expressivos em programas sociais e, claro, com um sempre maior controle estatal… (Ao que um amigo me perguntou: mas você é contra a reforma política, contra os programas sociais? E eu respondo: pelo contrário! Só não confio em certos partidos da esquerda brasileira para encabeçar certas bandeiras…)

A questão preocupante é que esta gente boa da esquerda, não apenas está na linha de frente da política nacional, como seguem ocupando diversos setores do governo com gente que pensa como eles. Aos poucos vão assumindo cargos não só no executivo ou no legislativo, mas também no âmbito do poder judiciário. De modo que dificilmente assistiremos a um golpe, mas isto não significa que uma agenda ideológica não possa ser paulatinamente executada no Brasil … (se bem que, na verdade, nos últimos dias estou a me perguntar em que momento a Dilma deixou de ser da esquerda e o que ela está tentando se tornar….)

E então, nos tornaremos Cuba? De certo que não, até porque em cada país onde o regime socialista foi implementado, ele adquiriu feições próprias, de acordo com as características daquela nação, seu posicionamento no cenário geo-político-econômico internacional e também (como não?) de acordo com a cabeça do partido ou do ditador à frente da implementação desta ou daquela revolução. Não seremos como Cuba. Mas isto não nos livra dos perigos de um lulismo, inédito nos mais variados aspectos.

Pior ainda: quando pensamos em um dilmismo brasileiro e constatamos que esta senhora agora toma atitudes que ela mesmo satanizou nos programas de governo de outros presidenciáveis (só para relembrar ela própria não publicou programa nenhum…), vemos a possibilidade de um um rumo ainda mais inédito: uma esquerda esquizofrênica, para lá de capitalista e, pelo visto, já bastante capitali$ada. E desde quando isso pode dar certo?