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O Charlie, o Islã, Leonardo Boff e a banalidade do mal.

charlie 2 O Charlie, o Islã, Leonardo Boff e a banalidade do mal.Dias atrás dei minha opinião no blog sobre o trabalho dos chargistas assassinados na redação do Charlie Hebdo. Sorrateiramente, fui duramente criticado por algumas pessoas ditas defensoras da liberdade de expressão. Algo que me pareceu contraditório, para dizer o mínimo.

Talvez tenha me faltado, para ser melhor compreendido, apelar para uma frase chavão do tipo: Hei Charlie, “não concordo com o que você diz, mas sempre (ou seria talvez) defenderei o seu direito de dize-lo”. De qualquer maneira, não é tarde para admiti-lo.

Isto porque acima de qualquer discordância com o humor satírico do Charlie está meu repúdio à violência, esta infelizmente mais enraizada que nossa compreensão do que seja liberdade e com consequências muito piores que o ódio a qualquer charge.

Leonardo Boff foi provavelmente feliz ao invocar Hannah Arendt para assim inspirar uma análise um pouco mais aprofundada sobre o tema. Certamente não terá agradado a todos. Em seu artigo Para se entender o terrismo contra o Charlie Hebbo de Paris (sic), Boff faz referência ao livro da pensadora judia Arendt, intitulado Eichmann em Jerusalém .

A obra surgiu na sequência do julgamento de Adolf Eichmann acusado pelos serviços prestados ao horror nazista. Diante do julgamento do monstro que disse apenas cumprir ordens, Arendt  constatou como juízos morais podem ser suprimidos pelo comportamento humano, evidenciando o que ela chamou de a banalidade do mal.

Ao citar Arendt, Leonardo Boff foca no espírito de violência que fomenta ataques, mortes, torturas e extremismos tanto por parte dos fundamentalistas islâmicos como nos inúmeros conflitos que pipocam entre os seres humanos.

Boff frisa ainda a ideia de um espírito vingativo que moveu o ataque aos chargistas e que agora é o mesmo que gera (ou seria renova?) uma nova onda de ódio e repúdio ao Islã. Denuncia assim uma espiral de violência interminável e que faz vítimas sem conta, dentre os quais muitos inocentes. Uma onda de mal que não começou nem com charges e nem com preces em direção à Meca, mas que ocupa as mentes e se espalha, seja pela ponta de um lápis que pela ponta de uma bala.

Não sou Charlie, mas em nome dele, mais que nunca, também clamo pela paz.