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Os porquês de não comemorar a baixa taxa de desemprego, ou, aprenda a ler nas entrelinhas.

brasil tolos Os porquês de não comemorar a baixa taxa de desemprego, ou, aprenda a ler nas entrelinhas.

Está no destaque do G1 nesta quinta-feira santa: a Taxa de desemprego é a menor para os meses de março desde o início da contagem em 2002. Apenas 5% dos brasileiros estavam desempregados no mês de março de 2014 no Brasil! É para comemorar, certo?

Não tão certo assim.  Você sabia que para o cálculo da taxa de desemprego, a pesquisa considera por exemplo que um cidadão que trabalhou faxinando sua calçada em troca de um prato de comida é considerado empregado? E que quem está procurando emprego entra também no pacote? Ou seja,  desempregado para a pesquisa é só o cara que pode e que não quer trabalhar.

5% é portanto uma porcentagem constituída de muitos “vagabundos confessos”. E… que taxa alta! Mas, tudo bem… o que não dá mesmo  para comemorar é uma taxa baixa de desemprego que, noticiada como é, criar a falsa impressão de que as coisas no Brasil andam benfeitas…

Claro, a taxa possui seu valor, pois se os critérios são os mesmos todos os meses, os resultados podem sem comparados entre si, o que permite traçar um gráfico da evolução temporal referente ao item da pesquisa, que me recuso a chamar de desemprego, como os apresentados na página do G1.  Além disso, esta taxa é utilizada para cálculos importantes nas tomadas de decisões envolvendo a  política econômica do país. Mas está longe de ser motivo de alegria para a maior parte da população. Basta lembrar de um um outro dado: cerca de 70% dos atendidos pelo program bolsa família tem algum tipo de “emprego” mas, não recebem nem ao menos R$140,00 por mês. Por isso, estes ditos “empregados” precisam continuar recebendo o auxílio.  (Antes de me atirarem uma pedra vejam bem que eu não estou aqui a criticar o bolsa família, mas o fato de chamar empregado um cara que não ganha nem meio salário mínimo por mês). Enfim, 70% de “empregados”estão entre a linha da pobreza e a da extrema pobreza, segundo os critérios do próprio governo. É para comemorar Brasil?

Para entender um pouco mais sobre a influência de pesquisas de mercado e opinião, reveja este texto aqui.

Um texto mais punk sobre o problema envolvendo a manipulação da taxa de desemprego é este outro aqui.

(Se gostou da informação, te sugiro, compartilhe! Vamos nos educar politicamente! Grande abraço!)