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No clima da original filosofia de Gilles Deleuze e Guattari.

 No clima da original filosofia de Gilles Deleuze e Guattari.

“Não seja nem uno nem múltiplo, seja multiplicidades! Faça a linha e nunca o ponto! A velocidade transforma o ponto em linha! Seja rápido, mesmo parado! Linha de chance, jogo de cintura, linha de fuga. Nunca suscite um General em você! Nunca idéias justas, justo uma ideia. Tenha idéias curtas. Faça mapas, nunca fotos nem desenhos. Seja a Pantera cor-de-rosa e que vossos amores sejam como a vespa e a orquídea, o gato e o babuíno.”

Da impaciência à síndrome do Facebook: o orgulho na raiz de toda ansiedade?

bolacha Da impaciência à síndrome do Facebook: o orgulho na raiz de toda ansiedade?

Os antigos Monges do Deserto, nos primeiros séculos da Era cristã, desenvolveram um sistema de classificação das chamadas patologias da alma, onde apresentavam oito logismói que, por sua vez, deram origem à  lista conhecida dos sete pecados capitais. Ocorre que este verdadeiro tratado, muito profundo em sua análise e nada parecido com tal listagem de sete ações imorais, contém uma rica abordagem de psicologia elaborada a quase dois milênios, mas que se demonstra bastante atualizada. (Já tratamos de uma desta definições ou logismói em um post sobre a inveja aqui no blog)

É o caso uperèphania,  cujo nome em grego pode ser traduzido por orgulho ou  soberba. Ela denota uma ignorância profunda que o sujeito tem sobre a vida e sobre a natureza das coisas. Seu efeito mais devastador é levar o indivíduo a um desligamento da realidade, fechando-o no mundo de suas representações mentais. O orgulhoso, sentindo-se por exemplo melhor que os demais, sente-se como uma pessoa apta à condição de julgar os outros, dando-lhes uma valoração. Assim, as amizades do orgulhoso tem prazo de validade: uma vez que o orgulhoso gosta de alguém, gosta para valer, pois o que lhe agrada bastante é a imagem idealizada que ele normalmente faz de seus afetos. Assim, se alguém passou no primeiro crivo do orgulhoso, é comum que assuma o posto de o Amigo ( com A maíusculo. O mesmo vale para O Parceiro, ou A Paquera…) aquele ou aquela por quem vale a pena ceder um pouco do próprio tempo e dividir momentos. Ocorre que ninguém é bom o tempo todo, nem em tudo que faz. De um lado, o orgulhoso, vendo que o Amigo em questão não corresponde mais às suas expectativas, passa a testar-lhe a amizade por meio de uma competição, quase sempre velada sob a forma de desafios ou outras formas de implicância, buscando assim uma auto-promoção sobre as deficiências do amigo-agora-nem-tão-legal-assim… Por outro lado, como é difícil estar o tempo todo com a estima e a confiança em alta, o(s) amigo(s) sofrem e sentem-se humilhados com esta autoafirmação do orgulhoso e se afastam. Eis um dos motivos pelos quais  o orgulho é um veneno que faz mal tanto para o soberbo como para quem o cerca.

Mas o que o orgulhoso gostaria, se ele pudesse, seria dizer para o mundo, para o tempo e para as coisas que ele sabe como elas devem ser. Por se achar um ser incrivelmente bom, o Cara(!), como a famigerada última bolacha do pacote,  um soberbo é sempre um impaciente. Afinal, o tempo não corre como ele determinou em sua mente, nem as pessoas funcionam no seu ritmo  e, por isso, ele sofre de raiva (pois “nada está se comportando como EU quero que se comportem!”) e também de ansiedade.  Para entender isso, basta concorda com a tese defendida por muitos pensadores contemporâneos de que “a ansiedade é excesso de futuro em nossas mentes”. Ora, quem controla todas as variáveis que nortearão o próprio futuro? Absolutamente ninguém! Mesmo assim, o orgulho sofre porque intui que as coisas parecem que não iram acontecer como ele desejaria. (Leia mais a respeito neste post aqui óh)

Ninguém deve se considerar melhor que os outros pois, a bem da verdade, somos criaturas frágeis e cercadas de imperfeições. A vida, por melhor que possa ser, revela suas mazelas para todos e, como já afirmou Luiz Felipe Pondé, cada um se vira como pode diante dos acidentes e incidentes de percusso que nos acometem. Entretanto, por se achar alguém realmente especial em relação aos demais, pouca coisa nesta vida agrada ao orgulhoso. Uma exceção seria tudo aquilo que produz muita adrenalina, promovendo uma sensação de vazio preenchido e de bem-estar. Por isso o orgulhoso gosta tanto de aventurar-se e de correr um certo perigo. Estamos falando aqui de um tipo de prazer que é arriscado e que pode custar muito caro… O problema não está na radicalidade das atividades mas no grau de prudência, paciência, contentamento, espera e discernimento que separam o aventureiro do patológico.

Os monges mencionam ainda que em decorrência da uperèphania, o orgulhoso reage como um ferino diante de um confronto. Em outras palavras, além de impaciente e ansioso, o orgulhoso pode ser explosivo. Se engana, contudo, quem pensa que os soberbos em questão são apenas os indivíduos que se sentem os melhores. No fundo, o soberbo é o cara que apenas se sente: se sente o melhor, ou MAIS perseguido, ou o MAIS azarado, ou o MAIS ignorado dos seres e por ai se vai uma infinidade de tipos… (Quem nunca ouviu alguém cujo bordão seja algo como: “tudo só acontece comigo!” ou “Nada na minha vida dá certo!”). Para eles as ferramentas sociais são uma extensão danosa da própria patologia. Me explico: uma vez que o orgulhoso costuma se achar o centro do universo, seus esforços e sua lista de preocupações diárias se estendem às opiniões de TODOS os seus contatos, que certamente não perdem (ao menos é o que ele imagina) nenhum detalhe de sua pobre ou rica vida. Muitas vezes um mega-esforço é desprendido para provar aos outros o quão boa e especial é a vida que ele leva. A bem da verdade, o orgulhoso desfila para um público sempre mais restrito sua capa de super-herói, sem se dar conta de todos os buracos que ela contém.

Na atualidade a proliferação das síndromes desculpam muitos de nossos comportamentos menos admiráveis… Se impaciência ou ansiedade são em todos os casos uma síndrome, o que se espera que é o medicamento e a terapia correta possam trata-las. Todavia, ressalto a pergunta feita por Ivan Leloup, profundo conhecedor da sabedoria dos Monges do Deserto: será que as doenças mentais não estariam enraizadas na afirmação do ego, em detrimento do reconhecimento da verdade sobre si mesmo? Será que a busca pela virtude da humildade (de nos lembra que sosmos humus, barro, quase nada) e do auto-conhecimento não são remédios para vários dos dramas do soberbo pós-moderno?

 

 

 

 

 

10 pontos de vista sobre o amor ou, o amor: de Madre Tereza à Oscar Wilde.

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Listas encantam. Fiz meu Top10 de frases que realmente aprecio. Claro, sobre o amor.

1) “Porque quem ama nunca sabe o que ama nem sabe porque ama, nem o que é amar. Amar é a eterna inocência, e a única inocência é não pensar.” Fernando Pessoa

2) “Ser profundamente amado por alguém nos dá força, amar alguém profundamente nos dá coragem.” Lao Tse

3) ” Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação.” Madre Tereza de Calcuta

4) “Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema” (Trecho do “Poeminha amoroso” de Cora Coralina)

5)  “De sofrer e de amar, a gente não se desfaz.” João Guimarães Rosa.

6) “Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.” João Guimarães Rosa (Again)

7) “Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.” Clarice Lispector

8) “A fé não é uma questão de existência ou não existência de Deus. É acreditar que o amor sem recompensa é valioso.” Emmanuel Levinas.

9) “No amor, o que vale é amar.” Chiara Lubich

10) “As mulheres existem para que as amemos, e não para que as compreendamos.” Oscar Wilde.